DEMOLIDOR EM SÉRIE Opinião de Wander Filho Pavão.

Terminei de assistir a mais nova série derivada dos super-heróis da Marvel Studios em parceria com a Netflix: Demolidor. E estou hiperativo em dizer que é uma das melhores histórias de super-heróis e não super-heróis já contadas em seriados. Melhor, em uma escala, que fará “decenautas” torcerem os narizes e talvez virarem a casaca e CEOS da Warner tremerem ainda mais frente as produções marvelnianas. Que fique registrado que tenho a DC Comics em meu DNA desde minhas primeiras histórias. Sempre foi um cast de heróis e heroínas que me fisgaram mais do que as sagas da Marvel, apesar de ter lido e colecionado ambas as editoras indiscriminadamente durante anos. Juro, pensei que seria uma concorrência desleal para a Marvel quando começou a onda de adaptações de HQs de heróis para o cinema. Mas o que tenho acompanhado com muita curiosidade e empolgação é o modo criativo, estratégico, engenhoso, ousado e competente com que a “Casa das Ideias” tem se reinventado. Ah, eu já disse respeitoso? De qualquer modo, além das franquias de sucesso do cinema, a Marvel estartou uma série de spin-offs (até então com nada de novo é verdade) com personagens secundários e que agora, inaugura uma nova fase com Demolidor. Então ai vão alguns motivos para conferir o Demolidor:
Porque se o diabo mora nos detalhes, com o perdão do trocadilho, nada mais adequado do que o “demônio” inaugurar uma nova era de narrativas seriadas com heróis. É preciso aplaudir de pé a qualidade da produção de Demolidor. Uma fotografia magistral, raramente vista em séries de TVs com heróis. Direção impecável, com travellings, slow-motion e planos muito bem trabalhados. Coreografia de lutas bem executadas. Figurino cuidadoso (embora eu realmente tenha dificuldades em acreditar em alguém usando um traje “bonecão do posto” kkk).
Demolidor é um drama complexo, uma história de super-herói super humana, mais perto de nós do que de Asgard. Em Demolidor, o clichê da lugar a personagens tridimensionais, com aspectos, motivações e trejeitos meticulosamente construídos, diálogos críveis e reações verossímeis. Matt tem um perfil parecido com o de Bruce Wayne, tanto, que não é exagero dizer que a série procura mostrar o tormento e a obsessão desenvolvidos pelo personagem. Aliás, aspectos do Batman de Nolan, são uma referência perceptível e frequente em passagens da série. E vamos combinar que a performance de Vincent D'Onofrio é poderosa, Wilson Fisk é um psicopata doente e mesmo assim você ainda torce pelo cara (bem, eu torci em vários momentos kkk). O diálogo entre Ulric e Fisk no final de temporada é genial. Eu quase posso ouvir os produtores da série Gotham resmungarem de inveja kkk.
É possível perceber muitos elementos fiéis às histórias em quadrinhos do Demolidor, passagens que lembram vários escritores do herói (Miller, Waid, Bendis). E embora a Casa das Ideias tenha adotado uma narrativa a la “Game of Thrones” (ok sem spoilers) para a série, os personagens mais importantes da mitologia do demônio estão lá. O efeito easter eggs de personagens que devem aparecer também é empolgante. E para finalizar, a estratégia “tarantiniana” da Marvel Studios em contar uma grande história dividida em partes de um quebra-cabeças, talvez seja um dos mais bem sucedidos empreendimentos dos autores e produtores. Lembrando que está previsto o lançamento de mais quatro personagens e derivados no Netflix: Punho de Ferro, Jessica Jones, Luke Cage e Os Defensores. Com o sucesso de Demolidor, a Marvel aumenta as expectativas e da uma aula de como trabalhar personagens periféricos, com a habilidade de autores e produtores que adaptam, reinventam e transportar os arcos e narrativas dos quadrinhos para o cinema e tv.


Graduado em Biblioteconomia pela Universidade de Brasília e produtor cultural Wander Pavão é também mediador cultural, mediador de leitura, arte-educador, mestre de cerimônia, blogueiro, comunicador social, locutor, músico, poeta, contador de histórias, membro fundador da Academia Cruzeirense de Letras e militante pelos direitos humanos.

paulo Dagomeh

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