FEMININO, FEMINISMO E FEMINISTAS Relato dos enviados da Supernova no Encontro Latinoamericano de Mulheres


Por Jessica Martins, Priscilla Sena, Wan Gazzú e Raony Almeida

Após o fechamento dos GTs, no primeiro dia de atividades, deu-se início a um debate sobre “feminino, feminismo e as feministas”. O intuito do debate consistiu em levantar uma reflexão sobre um jeito diferente de se posicionar no mundo, com o resgate do lado feminino da humanidade, como forma de equilibrar as forças, uma vez que o lado dominador masculino tem se perpetuado nas mais diversas relações seja no mundo do trabalho, da política, quanto em outros tipos de relações sociais. Com isso, questiona-se se não está na hora de se posicionar no mundo de outra forma. Para incitar esse debate, foi convidado o professor Cláudio (sobrenome). Este, em sua fala inicial, afirmou que o machismo é o pior problema enfrentado hoje pela humanidade, pois ele perpassa todas as formas de interação do homem com a natureza e com as pessoas, a partir de uma postura extremamente opressora, violenta, de domínio e controle. Afirmou ser necessário um resgate do lado feminino da humanidade, com maior respeito à natureza e a todos os seres humanos. Ainda em relação a isso, afirmou que o homem precisa resgatar sua sensibilidade, pois os meninos, quando pequenos, são ensinados que não se deve chorar, pois “homem não chora”, ato que se constitui em uma grande violência, uma vez que retira do homem a possibilidade de expressar seus sentimentos de forma livre, ato que em grande parte das vezes é consentido e perpetuado pelas mães. Por fim, ressaltou que deve-se tomar cuidado em atitudes reparadoras, como formas de compensação, pois estas podem gerar resultados desastrosos. 
Essa fala gerou várias reações no público presente, que por um lado discordou da associação do feminino como sendo o lado sempre vinculado ao frágil, ao sensível, àquele que acolhe, etc., enquanto o masculino é associado à ação, à atitude, à força, ao domínio, etc., e por outro concordou que existe algo a ser regatado. Muitas falas convergiram para a noção de que as atitudes normalmente associadas aos lados feminino e masculino estão presentes em qualquer ser humano, de forma que seria mais apropriado afirmar que ao invés de um resgate do feminino, o que o mundo precisa é do resgate de valores humanos. Alguns participantes afirmaram não ter problema com essa divisão entre feminino e masculino e que concordavam com a afirmativa da necessidade de resgate de um lado feminino, enquanto outras questionaram esses conceitos, uma vez que consistem em construções sociais, vinculando comportamentos e atitudes ao sexo do indivíduo, o que acaba favorecendo apenas os interesses do poder vigente,ou seja, masculino e heteronormativo. Frente ao embate, concluí-se que não existe um consenso a respeito do que seja feminino ou masculino, e que seria melhor avançar com o debate tratando sobre um dos temas que surgiu durante as falas, concernente ao feminismo, às feministas, e ao fato de existir ou não mulheres machistas. 
A partir daí, surgiram novas divergências. Surgiram várias críticas, defesas e reflexões sobre a questão do feminismo, suas vertentes, sua necessidade e sua realidade atual. Mais uma vez não chegou-se a um consenso. Uma parte das/dos participantes acredita que é possível sim um mulher militar pela causa das mulheres, em sua diversidade, como negra, como trabalhadora, como latinoamericana, etc., sem que seja denominada feminista. Outras/outros já vêm a luta pela causa das mulheres, em suas mais variadas frentes, como uma luta feminista, independente da nomenclatura. Da mesma forma não chegou-se ao consenso sobre a existência de mulheres machistas, pois parte do grupo disse enxergar o machismo como um sistema que legitima o opressor e nunca o oprimido, por mais que este último perpetue pensamentos de opressão, enquanto outra parte do grupo afirmou que machismo é também atitude, e que qualquer indivíduo que se toda esse tipo de atitude pode ser caracterizado como machista, independente se homem ou mulher. Com isso, o debate se prolongou, sem um consenso, mas que chegou à conclusão de que é preciso resgatar um lado mais humano nas relações dos seres humanos entre si e para com a natureza, que o feminismo não é um movimento unificado, assim como as feministas são diferentes entre si, porém o movimento como e suas facetas enfrentam uma nova crise de legitimidade para a qual deve dedicar atenção e esforços no sentido de se comunicar melhor com as mulheres. 

OFICINA DE CYBERFEMINISMO

Na tarde deste segundo dia de evento (16.05), participamos de uma oficina de Cyberfeminismo, onde pudemos conhecer o projeto de ativistas feministas da Guatemala que procura difundir o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para diminuir a violência de gênero, o denominado #DOMINEMOSLASTIC (Dominemos as TIC). Esse grupo objetiva combater a violência de gênero, que se perpetua no mundo virtual, através do cyber 
ativismo e do incentivo ao uso criativo de plataformas digitais para essa causa. Sendo assim, o projeto defende o uso de tecnologias como instrumentos para organização política e meio de criação de novas comunidades feministas. 

Ressaltou-se a importância do cyber espaço como um espaço de comunicação e de ativismo político na atualidade, principalmente por possibilitar deslocamento do poder centralizado, uma vez que permite a coletividade em rede, onde cada indivíduo ou grupos de indivíduos podem ser autores de conteúdos e não apenas meros receptores, remetendo à conhecida expressão “do it yourself” (faça você mesmo). Contudo, o grupo ressalta que o ativismo político não pode se limitar às TIC, pois a cidade deve ser ocupada pelos cidadãos, logo, o ideal é que este ativismo, por mais ativo que seja no mundo virtual, se estenda às ruas. Além disso, o grupo evita uma definição fechada e única do que seja cyber ativismo ou feminismo, de forma a não cair em uma lógica logo centrista do discurso. 

Depois dessa apresentação inicial, as participantes trocaram idéias e impressões a respeito do cyber ativismo e cyber feminismo. Concluímos que o as novas ferramentas de comunicação, tais como redes sociais, blogs, vlogs, etc., são instrumentos dos quais não podemos abrir mão. No entanto, assim como buscamos novas formas de comunicação, os setores opressores também buscam na mesma velocidade, incitando a violência de formas tão eficientes quanto o cyber ativismo. Sendo assim, as estratégias de comunicação dos grupos ativistas devem variar e prezar pela criatividade para atrair mais pessoas para suas causas.


paulo Dagomeh

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