Relato sobre o 2º Sarau Pisaligeiro, Santuário dos Pajés, Setor Noroeste


Nada melhor do que comemorar a proclamação da República - "res publica", coisa pública - em um dos novos campos de batalha entre duas concepções civilizatórias ou culturais: a apropriação privada, capitalista e predatória do Setor Noroeste frente a defesa do direito de uma minoria, a afirmação identitária de povos originários abrigados no Santuário dos Pajés.


O acesso ao Santuário, pelo Colégio Leonardo da Vinci, ficou prejudicado em razão da forte chuva. Um lamaçal pavoroso! No meio do caminho, aproveitamos, Neilma e eu, para fazer a caridade do dia, ao dar carona a um jovem que acabara de ser largado por seu pai ou sua mãe, provavelmente, que não quis se arriscar na aventura do "mini-rally do cerrado". Coincidentemente, a música que tocava na rádio e que nos embalou até a chegada foi "Que País é Esse", do Legião Urbana. Essa foi a prova de fogo do pobre Clio 2004, que sobressaiu muito bem, por sinal.






Previsto para começar às 14h, o 2º Sarau Pisaligeiro atrasou. É duro ser pontual. Paciência.
Quando chegamos, havia cerca de 30 pessoas. Algumas ainda estavam armando, improvisada e precariamente, as tendas.



Engels Espíritos (um dos maiores gaitistas do Brasil), que seguiu, logo atrás, o nosso carro no mar de lama,  Ellen Oléria (multi-artista brasiliense consagrada) e Zé do Pife marcaram presença, até então. Estavam passando o som em um palco singelamente montado em cima de duas armações de estrado.


Apesar - ou por causa - da "cabeça ativa" de muitos, o ambiente era ordeiro.





O entorno de vegetação nativa densa e a presença dos índios foram inspiradores.


A juventude que acorria ao "happening", com seus trajes e adereços típicos, suas compleições e tipos físicos tão característicos, se congraçava de maneira espontânea e natural. Aliás, ali se configurou uma alma coletiva mágica. Que clima de fraternidade energizante; que espiritualidade solidária revigorante! Como diria, se não me engano, Fernando Anitelli: um ponto de encontro de "pessoas especiais"! Ou Netinho de Paula: "gente bonita e inteligente"! E acrescentaria: a confluência rara de seres iluminados!
Ficamos o tempo necessário para nos familiarizarmos com o terreno e as personagens. Saímos duas horas e meia depois.


O pequeno estacionamento interno e a estreita estrada de terra batida estavam apinhados de carros. Uma fileira crescente. Acho que a quantidade de 30 pessoas iniciais na nossa chegada saltou para 200 nesse ínterim.
Ao passarmos no descampado onde se deram os principais embates, nos deparamos com um comboio de policiais fortemente armados, entre 15 e 20 viaturas, que ia em direção ao Santuário. Cortamos por dentro do Setor Noroeste, povoado por esqueletos de concreto. A entrada norte estava sendo bloqueada pela operação policial. A chapa estava esquentando...
Mas valeu muito a pena!
Bem, vamos ficar atentos à próxima edição. Creio que a Supernova poderia colaborar e muito, com a tecnologia social que temos, a organizar um eventual 3º Sarau Pisaligeiro...

Awiri!



Sagrada Terra Especulada(A luta contra o Setor Noroeste) Documentário - 70min from Muruá on Vimeo.


PS: Este relato foi adaptado para o blogue "Pisaligeiro - Arte no Santuário". Disponível em http://atitudebrasil.com.br/pisaligeiro/2011/11/17/relato-sobre-o-2º-sarau-pisaligeiro/. Publicado em 17/11/2011.

SuperNovas

3 comentários:

  1. Eu boto a maior fé. POdemos pisar ligeiro na próxima.

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  2. O supernova não se move! ô, digo, o santuário kk.

    E aí, dan, fez contatos?

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    1. Em verdade vos digo, o fogo se move para queimar quem não respeita a Mãe natureza! Que bons ventos te levem para o centro!

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