SUPERblogues # X

Este é o texto que inaugurou o blogue "Meus Rabiscos", de Priscila Sena: http://apriscilasena.blogspot.com/. Recomendadíssimo!
Em tom confessional, a nossa doce poetisa-rockeira descreve as agruras e as incertezas existenciais desta nossa fase "coming to age".
Foi uma tremenda revelação para mim. Ou melhor, já conhecia o potencial que a Pris tinha. O que me angustiava era a sua introspecção. Mas cada um tem o seu tempo e ritmo.
E valeu a pena esperar o despertar dessa inteligência emocional tão aguçada, o aflorar dessa sensibilidade ímpar.
Parabéns, Pri! Estou orgulhoso por sua realização e ansioso pelo próximo brinde!
Dan



Um dia eu mudarei

Não existe coisa pior do que as pessoas não acreditarem em você. Vivo perdida em sentimentos ruins e que me detonam diariamente. É algo inexplicável, às vezes me sinto como um ser que não representa nenhum significado nesse mundo. Eu não sou nada, não faço nada, não penso nada, não vivo nada, nada, nada, nada e simplesmente nada.

Estou ficando para trás, tento vencer os obstáculos, mas a vida faz questão de torná-los mais difíceis. Quero me tornar alguém, mas os seres humanos duvidam de algum potencial que ainda acho que tenho. E a solidão toma conta de mim, há um buraco imenso que me domina. Mas penso, será paranóia? Não descarto essa hipótese, mas cada vez enxergo o contrário. Tenho que encarar a realidade que me obriga a formar pensamentos cada vez mais pessimistas. Não é nada simples, chego a pensar que é tudo uma grande mentira, ilusão. Pra que viver? Se sou infeliz. Talvez meu grande problema seja ouvir pessoas irrelevantes e que querem me ver desabar, desistir e jogar tudo para o alto. Ah, sei lá, meus sentimentos são importantes apenas para mim. O que importa se sou triste e ignorada pela sociedade? Procuro forças de lugares obscuros e inexistentes, mas não encontro. Até quando vou ter que simular uma personalidade fora de mim, quero ser quem eu sou, acho que vou morrer sem promover mudanças. Tento mudar, mas tenho dificuldades para reverter situações. Busco modificar essas sensações estranhas que incomodam minha alma, não sei se me revolto ou se guardo isso tudo dentro do meu coração. Me sinto sozinha, abandonada, rejeitada, magoada, acabada... não é exagero, é apenas o que sinto. Ninguém me entende, nem nunca vai entender, por mais que eu tente explicar, aliás não quero explicar, prefiro colocar tudo no papel.

Por outro lado, não sei se isso tudo é culpa minha, minha consciência me diz que tenho que tomar atitudes que não costumo tomar, não nego isso. Mas só queria um pouco de compreensão, de amor, de sinceridade. Não precisa gostar de mim, cada um faz suas escolhas. Apenas queria algum reconhecimento, alguma consideração, e não tenho. Não me faço de vítima, mas é impossível pensar o contrário. Quer saber não sei mais de nada, ficarei aqui nesse meu mundo oprimido e cercado de terror. Um dia eu mudarei.

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