Eu Matei Redson Pozzi*

Ou: Cólera e arrependimento, ou:
Gosto sem sabor, ou:
Murder! ou:
Redson Pozzi deixa a terra em paz, ou:
E.S.S.M.




"Redson, fundador do grupo punk Cólera, morre aos 49 anos

Da Redação

Morreu na noite desta terça-feira (28), em São Paulo, o músico Edson "Redson" Pozzi, guitarrista e vocalista do grupo punk Cólera, um dos mais importantes do cenário brasileiro. Apesar de poucos detalhes divulgados, a informação é a de que Redson teria sofrido uma parada cardiorrespiratória.
A notícia da morte foi dada na comunidade da banda no Orkut pelo baixista Val Pinheiro: "lamento informar a todos os nossos amigos, fãs e família que o nosso principal membro da banda Cólera, Redson, faleceu hoje, deixando um legado incalculável em nossas vidas". No Twitter, o músico João Gordo, da banda Ratos de Porão, lamentou a morte do músico. "É com lágrimas nos olhos que recebo a notícia da morte prematura do maior ícone do punk brasileiro. Descanse em paz, Redson. É uma perda irreparável, estou chocado", escreveu..
Formado em 1979 por Redson e seu irmão Carlos "Pierre" Lopes Pozzi, o Cólera é considerado um grupo seminal do punk no Brasil, com os álbuns "Tente Mudar o Amanhã" (1984) e "Pela Paz Em Todo Mundo" (1986) sendo dois dos principais discos do gênero no país. O grupo se caracterizava por sua mensagem pacifista e de caráter muitas vezes ecológico, algo que o diferenciava de nomes como Inocentes, Olho Seco e Ratos de Porão. Lançado em 2004, "Deixe a Terra em Paz!" é o sexto e mais recente álbum do Cólera."


Uol Entretenimento, 29 e setembro de 2011
http://musica.uol.com.br/ultnot/2011/09/28/redson-fundador-do-grupo-punk-colera-morre-aos-49-anos.jhtm








--tão seus olhos faiscaram pela última vez e eu perguntei a mim mesmo o que queria sentir. Alguma coisa no meu peito transbordava, pressionava, com se eu tivesse algum tipo de congestão mas com certeza era algo impalpavel, e eu sabia que era uma sensação mas eu não sabia o que sentir, só sei que me angustiava, me dava vontade de nada e ao mesmo vontade de alguma ocisa, mas oque? o que? dormir, morrer, pra não sentir nada ou não ter que me preocupar muito. sei que o pensamento é uma doença mas não consigo me livrar, algum antidoto, sexo?
eu vi o cara morrendo e estrebuchando ali na minha frente e u não podia fazer nada, ou podia mas eu sempre fui tão lerdo, eu sempre pensei que se algum dia alguem passasse mal na minha frente eu não saberia o que fazer e aqui estava eu de frente fcom o fodíssimo redson pozzi, a lendo do punk rock morrrendo na minha frente, morrendo na minha frente, a lenda. O que diriam as pessoas? de alguma forma eu tinha que ajudá-lo, porque ele era foda demais para morrer. o mundo precisa de alguém como ele, que falta ele faria mas puta que pariu, o que eu vou fazer? porra, e a í ele suspirou e parou de respirar e agora está no chão com uma cara patetica, nem paracendo aquela cara forte como um touroq ue empunhavca dsua guitarra como uma bandeira e sua palheta como um punhal, tendo por escudo seus ideais a a cfrrente um exercito de gente fuiriosa e desajustada que respondia fortemente a suas palavras eloquentes. vestindo seu ideias ea gora os olhos de peixe quando ele está fraco, e eu impune. ele foi tão legal abrindo a porta da casa pra mim, eu, um fã tolo e idólatra doido para desfrutar de alguns momentos da companhia deste que foi um grande mentor em minha vida e na de muitas pessoas e na de uma geração e na de um movimento e na de uma existência, batendo a porta da casa dele a meia noite, oq ue eu pensava? sei que ela abriu e não parecia estar nem um pouco com sono e sempre muito simpático e amável me convidou para entrar, me mostrou um monte de discos, me mostrou suas guitarras, me contou histórias de um passado heróico, sem nunca deixar de dar atenção a seus amigos no msn, alguns admiradores/amigos de terras distantes distantes que pediam dicas sobre marketing ou sobre distribuição independente ou gestão de projetos ou o que seja, provavelmente um desses o socorreu notando que el enão respondia nunca, talvez teha ligado e visto que estava lá passando mal, morrendo, ou morto, sozinho, que eu o deixei lá para morrer e a história nunca vai me perdoar, e mesmo que ninguem nunca descubra eu vou saber disso pra sempre, e sempre que minha banda tocar ela só sabia matar eu saberei que quem só sabia matar era eum eu, eu sou o assassino, murderm murder, m urderrrrrr, será que foi a coca-cola que eu convenci ele a tomar? ele insistiur que era uma posição política e eu discuti com ele só pelo prazer de ver o grande redson defender seus ideias com tanta convicção ou em outro caso ver ele ceder a minhas teorias idiotas e minutos depois ele falar que na verdade tinha ulcera. será que é assim a pessoa toma coca e morre na mesma hora? acho difiil, mas putz, eu estava apavorado, e o pavor me fez pensar que eu o tinha matado e correr porque eu não sabia o que pensar, não sabia mesmo... então corri pelo portão a fora, deixei o sozinho para morrer e horas depois o márcio o encontrou e o levou para o hospital mas já era tarde demais, e agora o grande redson do colera está morto e eu sinto que a culpa é toda minha. ainda posso ver seus olhos faiscando na minha cabeça e sinto que todos os punks do mundo querem que eu morra inclusive eu, mas não tenho coragem. suicidio animal. e agora as vozes que zoam minha mente, e um gosto sem sabor. sei que isso é incoerente e que eu nunca sai de brasília e ele morreu em são paulo mas eu posso ver nitidamente o rosto dele morrendo na minha frente porque eu o amava e sinto qeu todos os admiradores desse grande cara por mais que tentem afastar também podem ver isso, e que tudo não passa de uma fantasia morbida da minha cabeça mas que hei de fazer? ali está o grande redson agonizando no chão de seu apartamente eu não pude fazer nada e agora é que o rock vai morrer de uma vez mesmo. o que mais me assusta é que ainda tive a pachorra de roubar uma palheta e um poster dos sex pistols do seu quarto de --


(15/07/1962 - 28/09/2011)




Prólogo



"Fui muito amigo dele em 82, no começo de tudo. Depois nos desentendemos, mas há cinco anos no encontramos, colocamos as diferenças em pratos limpos e voltamos a nos falar. Hoje quando fiquei sabendo sobre a morte foi um choque que me machucou muito. Ele é um ícone de nós todos sobreviventes dessa época. Ele foi o único que manteve as origens do 'faça você mesmo'. Era muito jovem pra morrer"
João Gordo, vocalista do Ratos de Porão


"Não sei nem o que falar. Fiquei meio chocado porque conheci o Redson em 1979 e pra mim não é só o Redson do Cólera, é um grande amigo, velho de guerra. Ele ia tocar com o Inocentes num show em Brasília no dia 15 de outubro e a gente já tinha ensaios marcados. Realmente não sei o que falar, estou muito triste"
Clemente, vocalista do Inocentes


"Na verdade montei o Combat Rock há muito tempo com o Redson, fizemos vários shows e ainda estamos fazendo. A gente se conhecia desde criança, ele que produziu o primeiro disco que gravei. Redson era um irmão e sempre fazíamos umas coisas juntos"
Mingau, baixista do 365 e do Ultraje a Rigor


"É tão difícil de falar... Posso dizer que foi uma honra uma grande ter compartilhado o palco algumas vezes com o ícone da história do rock do Brasil. Também de ter a amizade dele. Eu lembro dele e começo a dar risada porque ele era uma pessoa muito bem humorada" 
Ari Baltazar, guitarrista do 365 e do Combat Rock

* Originalmente publicado na revista Supernovas, Ano 1, Segunda Edição, outubro de 2011. Adaptado.
Ilustração: Zakuro Aoyama: www.flickr.com/zakuro



d.b

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