Que o diabo o(s) carregue

Senhores,

Eu e Manoel tínhamos o hábito de fazer desafios poéticos.
Normalmente, Manoel dava o mote e, daí em diante, o cacau caía.
Hoje, eu dou o mote: "o diabo que o carregue".

Pra inaugurar, já fiz o meu dever de casa.
Cada um, agora, se vire.

Gilberto Gil é, na bahia, o pai do Reggae.
E Caetano, nós o temos como Midas
E qualquer um, Mané, que, na rede, navegue
Verá que, feito gatos, eles têm sete vidas.

E mais de sete vidas andam merecendo
Já têm lugar cativo na eternidade
E, algo premonitório, p´rece que estou vendo
Caetano, eu e Gil - santíssima trindade.

E lá de cima, observando os três, o mundo
E ouvindo o que se faz de novo sob o sol
Podemos ver, Manoel, o que há de mais imundo:

(porque aquilo ouvir niguém jamais consegue)
A banda se chama Restart (e usam cachecol!).
É meu desejo que o diabo os carregue.


Luiz Cláudio Sena

***

Crentes pregando cedo em minha porta
Programas de domingo na tevê
Políticos de vida torta
Os amigos que não param de beber

As festas sem final do meu vizinho
Ao som do carro e do tecnobrega
Meu cunhado se achando um gatinho
Inimigo se fingindo de colega

O cardápio semanal do rorizão
Todos os torcedores do mengão
O patrão que dá um público esbregue

Ir pro trampo espremido num buzão
Telefones celulares de cartão
Minha vontade é que o diabo os carregue


Paulo Dagomé

***

Desafio me persegue,
Desde que eu era menino!
Fui poeta pequenino,
Bras bandas do Ceará,
Onde verde só juá
E as cores da esperança!
Pra um poeta criança,
O mal nunca está por perto...
O mal? De braços abertos,
O diabo que o carregue!

E que Deus nunca me negue
Um papel e uma pena
E a vida como cena,
Pra que eu pinte a poesia,
E que me dê, todo dia,
Saúde, paz e amor,
Para que, por onde eu for,
Eu exercite o meu estro.
Se me perguntam: e o resto? ...
O diabo que o carregue!

E que minh’alma se apegue
À luz de toda verdade,
Desnudo da vaidade,
Porém cônscio do poder,
Da centelha, que a acender,
Faz vibrar meu Cristo interno.
Só há céu, não há inferno,
Porque, o que existia,
O bom Deus bradou, um dia:
O diabo que o carregue!


Manoel L. Lima

***

Tive um dia dos diabos
daqueles do cão fazer farra
com boca escancarada
sorrindo de minha cara

Não ergui aos mãos aos céus
não fiz promessas nem nada
não roguei a nenhum santo
por minh'alma entronchada

Minha cara de todo o dia
era feia que dava medo
pior que Elza, Aracy ou Marlene
depois de um limão com umbu azedo

do perspeio desta jornada
ao fim deste arremedo
o destino outro dia deste me negue,
o diabo que o carregue...


Maurício Sena

SuperNovas

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