Smashing Pumpkins


Hoje vamos tentar uma coisa diferente. Ponha este vídeo do Youtube para carregar  mas não dê o play ainda. leia o texto. No momento certo do texto, farei uma indicação para dar o play, você dá. certo? vai ser legal...


Muita coisa acontece em uma semana. Em uma semana você você pode conhecer o amor da sua vida e odiar ele. Em uma semana você pode fugir de casa e voltar. Em uma semana um presidente pode ser eleito e deposto. em uma semana você pode ouvir de tudo.

Essa semana o que tem assombrado meus ouvidos é uma banda chamada Smashing Pumpkins.  Assombrado é exatamente a palavra. Suas músicas tem aparecido nas situaçõs mais inusitadas, nas horas mais precisas, nos momentos mais intensos. Sinais talvez. Coincidência talvez. Essa semana, após muito, tempo, não tanto assim, mas muito para quem ama, eu voltei a ouvir Smashing Punpkins. Não ouvir de relance, por acaso entre as milhares de músicas da sua playlist, numa reprodução aleatória, mas ouvir religiosamente, sacralmente, fervorosamente, como se fosse um hino de louvor. A que deus? Ora, o Deus que há em você, os seus sentimentos, os seus pensamentos, suas idiotices internas, que são o que você tem de mais próprio, mais característico. O seu Personal Jesus (valei-me Marilyn Manson). Ora, esse não é precisamente o Deus que as pessoas tem buscado nas religiões?

Viagens transcendentais a parte (esse é um dos efeitos colaterais de ouvir essa banda), vou falar como foi o meu inesquecível encontro com essa banda.

Um dia, um desses dias comuns, prenhes de aventuras e sentimentos tanquilos, eu estava na casa de um grande Ex-amigo meu, passando uma tarde agradável. Meu ex-amigo é poeta, e gostava de muitas coisas do que eu gostava. Assim, a tarde passava imperceptívelmente quando nos encontrávamos. Sua casa fica No Alto do Morro Azul, um lugar mágico e mistérioso, como o próprio nome indica, desses que só existem no valle de São Sebastião. Eu estava meio pirado, porque ele estava ouvindo The Doors. Eu amava aquela banda, mas eu não tinha como escutá-la, porque, enfim, eu não tinha ela.  Nem disco, nem cd, nem fita, nem mp3, nem nada. na Rádio é que não ia passar. Só se você tivesse muita sorte. Então, quando eu vi aquele pequeno disco acrílico e informações óticas binárias, meu coração quase foi a boca. Quer dizer, eu senti ele indo a boca, mas eu sei que isso é impossível. Não parece estranho que uma coisa visual se transforme em uma coisa auditiva? Quer dizer, você pega um CD. Ele é feito de sequências que devem ser interpretadas pela luz. A gente não pode escutar a luz. A gente vê a luz. mas o CD player decodifica aquela luz e transforma em sete minutos e seis segundos de pura adrenalina, como na música Light My Fire. malditos efeitos colaterais. benditos para os que dele sofrem, mas malditos para os que tem que ler as viagens de quem escreve sob o efeito deles. Meus olhos faiscaram quando eu vi aquele pequeno disco. Após um bom tempo na seca para ouvir aqueles sons celestiais, será que finalmente eu ia poder gozar o paraíso perigoso(valei-me Cazuza) de escutá-los?
Sempre tive mania de recolher cds por onde que que eu passasse. Se eu vou a casa de alguém e vejo aquele CD estupendo, eu quero logo pegar emprestado. O mesmo vale para livros e filmes. Junte isso a minha outra mania, a de querer conhecer todas a músicas, todas as bandas do mundo. E a de querer sempre sons novos para a minha vida. Assim, o pequeno CD se tornou logo uma obcessão. Como conseguí-lo? Roubá-lo seria fora de cogitação, ao menos nessa ocasião. pedir emprestado seria constrangedor. meu amigo em questão já era uma velha vítima. Tinha que pensar num plano. Então tive uma idéia genial. Me fazer de besta. Deus sabe o quanto meu orgulho se feria a golpes de faca ao ter que me passar por ignorante de uma banda de rock, mas em nome da minha própria sabedoria eu teria que fazer essa sacrifício. Então, comecei a disparar: "Caraca, velho, que som irado! que banda é essa?" "isso é The Doors, irmandade, Jim Morrison, um som dos anos sessenta e setenta. muito louco véi. O Jim era poeta sabe. Nos anos setenten ele largou a banda do nada, se mudou pra frança e resolveu ser poeta! alguns meses depois ele foi encontrado morto na banheira, esse cara é muito doido. Fuuu". "Fuuu"  é o barulho que ele fazia ao soltar intensas baforadas THC. Obviamente calculei que o estado alterado da mente de meu ex-amigo me ajudaria na empreitada. "caraca, esse som é demais cara. Queria conhecer melhor... nessa horas ajuda muito ter um rosto infantil e olhos brilhante se suplicantes. "Pô, irmandade, leva esse CD emprestado aí e grava lá... mas toma muito cuidado ele é original, só não tem a capinha... só vou te emprestar porque a gente é brother."
Eu havia conseguido. Estava orgulhoso de mim mesmo, e ansioso para ouvir the doors por horas a fio, e sequelar no som deles. Nesse momento como que mão do destino pousou sobre a cabeça. ele me olhou com os olhos meio misteriosos, sua vasta cabeleira crespa fazendo sombra sobre os seus olhos, o vermelho deles brilhando com intensidade em contrarte com as pupilas negras e brilhantes tambem. Ele disse:
"Toma! curte esse CD também". eu não sabia ainda, mas em minhas mãos estava um dos maiores tesouros da minha existência. era um CD branco da NIPPONIC, com o nome da banda escrito em letra cursiva, bonita demais para ser do meu ex-amigo, com caneta marca-cd. uma letra bonita mas não muito legível. passeio os olhos, tentando decifrar o nome: "Ismé-xi-no pam... que que tá escrito aqui? "smashing pumpkins - disse ele. Ouve lá. É muito massa."

Me despedi dele e fui pra casa de um outro amigo meu, me encontrar com ele e mais outro, para me gabar de meus tesouros apreciá-los junto com ele. Costumávamos nos encontrar lá no fim da tarde para jogar xadrez, desenhar ou fazer qualquer coisa. Era um típico fim de tarde daqueles dias. O sol se punha vermelho sobre o céu doi são francisco, um sol estranho e pitoresco, um vermelho misturado com marrom e amarelo. Não havia vento algum, como se o mundo não estivesse respirando. Como se até o vento tivesse com preguiça. uma estranha emoção nos contagiava. A coloração avermelhada que o sol se pondo muito lentamente causava no quarto de meu companhero, um quarto tbm mágico diga-se de passagem. Gosto de achocolatado frio batido no liquidificador. Biscoito de maizena. Um dos meus amigos estava sentado no chão, lendo uma SuperInteressante de 1987. Montamos as peças sobre o tabuleiro. O que vocês vão querer ouvir primeiro? eu votei pra the doors. Os garotos queriam ouvir a banda nova. coloquei o cd no velho mini-system. Saí com o Peão da dama. O cachorro latiu lá fora. Um breve silêncio. O único barulho era o CD rodando no mini-system, frenético, tentando ler, pois ele era meio arranhado. As pretas respondem com uma saída de cavalo. O sol estava já quase escondido. A meia Luz deixava o quarto com uma aura meio que mística. E então... (AGORA DÊ O PLAY!) um som elétrico e fulminante interrompeu o silêncio como um raio de distorção. Eram os primeiros acordes de The Everlasting  Gaze. Um som de guitarra extremamente eufórico, inusitado, poderoso, eletrizante percorreu todo o meu corpo, passou pela espinha e me arrepiou totalmente. nunca, nunca vou me esquecer daquela primeira vez que ouvi smashing pumpkins. Lembro-me que derrubei as peças do xadrez. Lembro-me que eu e os garotos nos entreolhamos e sorrimos, porque sentimos a mesma eletricidade. Foi a sensação mais celestial que eu já senti. Não sei porque mas a música me inspirava a sensação de uma tempestade de raios. Uma tempestade de raios violeta.Não sei porque essa música me lembra a cor violeta. Violeta sobre um fundo negro. Depois veio a voz de Billie Corgan. Uma voz meio carregada de efeitos eletrônicos, que apesar de se confundir com a guitarra se destacava. Trazia a dose certa de angústia e de Euforia. Depois vieram todas as outras canções do disco. Eu esqueci completamente o CD do The Doors.
Durante todo aquele ano eu amei aquele som. Durante um ano aquele som fez parte da minha vida, acompanhou muitas de minhas vitórias e derrotas no xadrez, e foi fundo músical para quase todas as minhas paixões semanais.Havia porém um fator que me perturbou durante todo esse ano: como se chamavam aquelas músicas? Como se chamava aquele Álbum? Qual era a letra daquelas músicas? Minha situação era devastadora. Talvez também esse mistério tenha feito as músicas serem ainda mais especiais para mim. Em plena era do google, eu não tinha como conseguir uma informação. Vejam o meu drama: eu tinha um som na cabeça e no CD, mas o som não pode ser convertido em palavras. E pra obter qualquer tipo de informação em qualquer fonte, eu precisaria das palavras. As únicas palavras que eu tinha eram: Smashing Pumpkins. mas o que as abóboras esmagadas (esmagadoras?) tinham a ver com o nome das músicas? Eu sabia os nomes de todas a músicas, de todos os álbums, as letras, eu tinha uma metal massacre com letras e fotos da banda, mas como saber qual delas era ela? Eu não tinha como saber. Porque eu não tinha como associar os sons àquelas palavras. Eu tamém não conhecia ninguem que conhecesse ou gostasse dessa banda. até o meu ex-amigo, que me passou o CD, não sabia nada sobre ela. Só ano passado que fui conhecer grandes fãs, dessa banda, que eram amigos que estavam do meu lado o tempo todo.

No fim das contas, só o que importava era a música. Quando eu as ouvia, o nome da música, do álbum, como foram compostas, o porque,  ou o ano em que foram fabricados não faziam a menor diferença. O som falava por si próprio. E é por isso que noi #MusicMonday de hoje, eu não vou falar nada sobre as músicas ou a banda. apenas vou deixar um som, e deixar que o som fale por sim próprio. Se ele não disser nada, é poque vc não foi feita pra ele, ou ele não foi feito pra você.

Quanto ao Meu Ex-amigo, eu nunca devolvi o CD pra ele, e quer saber? EU NUNCA MAIS VOU DEVOLVER!!! HAHA!

este foi o #MusicMonday postado nos últimos minutos da segunda feira. Isso é que se chama de viver no limite!

(Postado originalmente no inthevalentineday.blogspot.com, por sabe lá Deus quem, ou coisa parecida)

Anne K.

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