Indie!



Entende-se por Indie tudo que é produzido de forma independente. De um DVD em um estádio à uma tapioca vendida na rua, se foi produzida de forma independente, é Indie. Entende-se por Indie Rock, de forma vulgar, como a linha tênue que vai do emo ao rock alternativo. Então nesse impasse fiquei tentando achar uma verdade para essa descrição. É justo que uma banda seja classificada como Indie Rock se é produzida por um grande selo? É justo que uma banda que não tem uma sonoridade tão alternativa não possa ser classificada como Indie Rock? Compreendi depois de algumas leituras que o termo Indie Rock tem um teor sonoro e um teor ideológico. O uso deles dois não se limitam apenas a isso, mas em suma é.

Sonoridade
A sonoridade do Indie é bem característica e ao mesmo tempo bem ampla. Diz-se que essa sonoridade surgiu nos anos 80. É contraditório. Diz-se que ele surgiu nessa época enraizado no rock alternativo. Diz-se também que o rock alternativo foi enraizado no grunge, que só surgiu no fim dos anos 80, depois do Indie. Essa cronologia torta me deu uma nova visão da origem do Indie. Indie é uma das formas do rock alternativo, com influências do pós-punk e new wave, ainda deixando livre para intervenções modernas. O rock alternativo é um termo muito amplo e se compreende de qualquer (sim, qualquer) rock que seja diferente do que está sendo vendido (ou consumido, ou em destaque).
Como disse, o Indie veio na década mais fértil do rock. Muita coisa estava sendo feita. Praticamente, a cada 2 anos, era feito algo novo no rock, algum estilo surgia, alguma coisa era feita. O punk se acelera virando o hardcore. O hardrock nasce. O heavy metal dos anos 60 do Black Sabbath tem uma repaginada com as novas distorções, que se divide em outros metals: trash, speed, dark... A música eletrônica enche as boates e danceterias. New Wave  também ganha força sendo o meio-termo de rock e disco. No meio disso tudo, vem uns caras que fazem algo mais rústico, mais antiquado para a época, os Indies. 
As rádios universitárias são palcos para eles. As bandas tem uma composição sonora bem simples: guitarra, baixo e bateria. Algo que parecia tão seco, ganha uma nova cara na mãos dos jovens da época, fazendo uma mistura tão boa e tão simples, às vezes muito chamada de BOBA. E talvez seja, mas no meio de tantas misturas megalomaníacas que estavam estourando na cena do rock, o som desses caras era muito agradável.
O comércio musical não tem olhos para eles ainda. O retrô ainda não era tão retrô assim, ou não tinha a mesma conotação que se tem hoje. Ficava uma coisa muito vaga para ser exposta para o público.
Particularmente, posso dizer que ouço a música com todos os órgãos e membros do corpo. Cada música me causa um tipo de sensação corporal diferente. Sinto em todo corpo, não só ouço a música por ouvir. Quando ouço  Indie Rock, tenho a sensação nítida de estar em uma roda gigante. Tão emocionante e simples. Radical e tranquilo. Uma adrenalina sonífera.
Abaixo, um exemplo do Indie Rock. A banda é Pedro the Lion e o vídeo faz parte do Forecast. O skatista é Nick McLouth. A mind of her own.



Ideologia
A ideologia do Indie é a de ser independente. E onde achamos indies assim? Aqui na nossa linda periferia, na sua periferia, ou em qualquer outra. Os Indies encontram em média dois extremos: Contas e Amigos.
As Contas são as inimigas número 1 de qualquer banda. As contas sugam, acabam, queimam seu dinheiro. Seu suado dinheiro construído por 30 dias acordando às 6h da manhã e dormindo no ensaio da banda. As contas estão presentes na vida de qualquer cidadão, mas na verdade só faz diferença na vida de nós, pobres. Na vida de quem tem uma banda, tudo ficaria mais fácil se um cara de cabelos brancos chamado João Augusto (dono da Deckdisc) batesse à sua porta depois de ver um vídeo seu na internet tocando no SuperRock. Mas não! No lugar dele vem o carteiro (que pode ser o Rodrigo) bater na sua porta ou sutilmente soltar na sua caixa de cartas quase o dobro do seu salário em contas. As malditas contas são as responsáveis pela falta de cabo, de corda, de pele para batera, de microfone, de hora no estúdio. São responsáveis pelo "Não" que você dá para os amigos que lhe chamam para um show no Plano.
EUREKA! Aí está a solução! Os Amigos! Toda banda que se preze é feita de amizade, e só por isso dá certo. Os amigos são os caras que não te ajudam com as contas, mas que dão sempre um jeito. Amigos são aqueles que também tem contas e o entende se você não tiver um trocado para a vaquinha da Coca. Te levam nos shows de graça, te ensinam aquela música que você quase chora olhando a tablatura no CifraClub. Amigos são aqueles que emprestam a batera para um show, mesmo em cima da hora. Aqueles que carregam palco, alambrados, lenha para fogueira, ajudam na montagem do som e ainda tocam com você. São os que cantam o refrão da sua música nova. O que visita seu PalcoMp3. Sim, colega, sua banda é praticamente pelos seus amigos. E isso é o Indie que conhecemos. O Do It Yourself. O se vira com o que tem. O "me empresta seu baixo, mano?". Isso é o que constrói o rock independente. O coleguismo para burlar a falta da grana para montar um disco ou um selo bacana.
Aí, de vez em quando, um amigo seu faz um vídeo da sua banda tocando no ensaio... The Hatsome, Kabala.


Dentro dessa discussão sobre o que é ou não Indie, sempre tem alguém que só discorda. Então você, caro colega, que acha que a banda fulana é podre por fazer algo diferente do que você escuta, lembre-se que a sua banda favorita pode ser tão Indie quanto a dela. Para você, CARO COLEGA, que acha que sua banda não é Indie, ou que são tão "indie(otas)" que não precisam dessa porra, dá uma olhada a sua volta: você tem mais Contas do que Amigos (fato).
Para os demais, ouvintes, apaixonados, loucos por música como eu, que a gente possa respeitar os novos estilos que estão surgindo (menos Restart ou coisa parecida) e que consideremos os velhos (menos o Axl ou coisa parecida*).

Beijos, até a próxima.

* Para você, Jungle.

Anne K.

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