Sou um megalômano!

Minha megalomania está inserida na idéia fixa da minha insignificante importância na constituição da vida, no acionamento da máquina do universo, sua engrenagens, suas energias.
Minha megalomania é pautada na resistência a minha mediocridade, quando forças passivas e ativas lutam silenciosamente e para que eu me renda a essa evidência.
Sou um megalômano, quando sou um corruptor, que pretende comprar as pessoas com a moeda de uma dentadura postiça, buscando adesão para minha causa perdida, com minha pseudo-simpatia cansada, mas persistente, com minha surrada e repetida filosofia.
Sou megalômano por pretender ser incorruptível, ante a visão implacável do dinheiro, do seu poder imediato, diante da verdade efêmera da compra dos prazeres por ele proporcionados.
Sou megalômano por ser corruptível pela moeda atípica da amostra de uns dentes falhos num arremedo de sorriso que me pareça um esboço sincero de amizade.
Sou megalômano por defender intimamente a absurda pretensão de que eu consigo camuflar meus enormes defeitos, sem ofender a inteligência dos meus semelhantes.
Sou um megalômano quando me considero parte dos acordes das notas do canto dos pássaros, da força que aciona fusão que forma os ventos, que sopra o Atlântico, que o une ao Pacifico nesse paradoxo louco para leigos sonhadores.
Sou megalômano por acalentar o pensamento, de que o sol, ao surgir no leste incendiando a linha do mar, o faz por mim.
Sou megalômano por não temer a morte, por duvidar da sorte, mas, sendo medíocre, aposto na Sena,sem crer na opulência, será isso demência?
Sou megalômano por crer piamente na imortalidade, um engodo? Uma recompensa? Uma esperança? Ou uma verdade?
Sou megalômano e patenteio minha megalomania, ao escrever essa linha toscas, com a ilusão de que elas venham, talvez um dia, fazer a diferença entre o bem o mal, esses eternos cúmplices e donos do nossos destinos, que nos manipulam, que nos conduzem ao seu bel-prazer, que às vezes nos faz sorrir e outras chorar a doer.
Sou megalômano e patético, por acreditar no amor, por querer impingi-lo ao mundo, por me contentar, se ele vier a ter algum efeito benéfico, se o meu amor ou qualquer amor, fizer ou vir fazer alguma diferença pra você.

Edvair Ribeiro em 03/08/2010 às 700 da manhã

Edvair Ribeiro

2 comentários:

  1. assim sendo, acho que também sou megalô.

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  2. Pois saibam que eu sou a pessoa mais humilde do mundo. Tanto que, na Bahia, eu sou conhecido como "O Super-Humilde".

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