Pequena antologia poética de Devana Babu



Du Hast



TE ODEIO do fundo do meu coração

TE ODEIO ainda que não seja pra sempre

TE ODEIO por mais que eu tente te esquecer

TE ODEIO e espero que vc sinta o mesmo por mim



TE ODEIO por tudo o que é mais sagrado

TE ODEIO do gênesis ao apocalipse

TE ODEIO e Jesus é prova disso

TE ODEIO em nome da Virgem Maria



TE ODEIO como o céu é infinito

TE ODEIO de corpo alma e espírito

TE ODEIO como dois e dois são quatro

TE ODEIO desde o princípio



TE ODEIO como se fosses a última

TE ODEIO como se fosse a primeira vez

TE ODEIO pelo brilho intenso das estrelas

TE ODEIO como o sol vai voltar outra vez



TE ODEIO para todo o sempre (amém)

TE ODEIO desde tempos imemoriais

TE ODEIO e te provo com um beijo

TE ODEIO e morrerei por isso



TE ODEIO e essa é a razão do meu viver

TE ODEIO e sinto que sou correspondido

TE ODEIO e não paro de pensar em vc

TE ODEIO por toda a minha vida...



TE ODEIO porque vc pra mim é tudo

TE ODEIO como a abelha ama a flor

TE ODEIO do tamanho do cosmo e do mundo

TE ODEIO como amo a minha dor



TE ODEIO como se fosses um anjo

TE ODEIO como Deus odeia o ser humano

TE ODEIO e já posso ouvir as trombetas

TE ODEIO porque te amo.



TE ODEIO, ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE.

AMÉM.


***

Espero uma visita

Espero uma visita

E penso que ela não existe

Morro eu de medo dela

Mas a espera em mim resiste



Nos cantos escuros

As ruas desertas

As noites solitárias

As portas abertas



Os barulhos indiscretos

Lá no fundo do quintal

O banheiro, alta noite

O formato anormal



Tenho medo – mas espero

Sinto que vem – penso que não

Há um paradoxo – há um contraste

Entre meus sentidos – e minha razão



Meus sentidos? Que sentidos?

Raramente eu uso isso

Mas é que é tão peculiar

Os calafrios, os arrepios



Tenho medo: mas espero

Mas se me afronto: me desespero

O que abomino: o que quero

Pois tenho medo do que espero



***
Megalomania

Eu sou o grande amor da minha vida

Eu me amo do fundo do meu coração

Eu quero viver pra sempre esse amor



Eu sem mim não sei se viveria

Eu não sei o que faria da vida sem mim



Eu sou louquinho por mim

Eu por mim vou matar ,vou roubar

Eu não consigo me tirar do pensamento



Eu em nome do meu amor por mim

Eu passo por cima de qualquer coisa



Eu sou a razão da minha vida

Eu se morresse

Eu não sei se viveria


***

Espectro
 

Meu espectro negro projetava uma sombra mórbida no chão,


(e um sorriso sombrio acompanhava minha aura escura).

Meu espectro magro projetava uma sombra esquálida no chão,

(e um sorriso sombrio acompanhava minha aura escura).

Meu espectro curvado projetava uma sombra corcunda no chão,

(e um sorriso sombrio acompanhava minha aura escura).

Meu espectro feio projetava uma sombra rala no chão,

(e um sorriso sombrio acompanhava minha aura escura).



Meu espectro culpado projetava uma sombra punida no chão.

Meus genitores gritam, e o sorriso sombrio desaparece,

Deixando apenas a aura escura.


***

O’clock



Enquanto houver tempo,

Nada poderá se desenvolver.



O tempo

Com seus relógios

Seus calendários

Seus artifícios



Não provoca senão o atraso.

Sua necessidade não é provocada senão por sua

[existência.

Sua análise provoca a loucura

E viajar nele é viajar na maionese...

Uma maionese sem volta.



Sua existência me cansa.

Ela dita inescrupulosamente a minha vida.

Como,

Quando deverá acontecer.



É uma droga,

Que vicia.

Que zumbifica,

E que tem escravizado a humanidade em seu fluxo

[ilusório

Movimentando um tráfico incontrolável

Que prega sua invencibilidade

E nossa impossibilidade de nos libertar dele

Que em concepção se nos torna reais



Nem nosso organismo pode mais funcionar sem ele.

Se por algum motivo o tempo conhecido deixasse de

[existir

(o que é uma libertação em concepção impossível)

Nosso viciado organismo criaria um outro

(como resposta imediata à falta dele)



Hora de dormir

Hora de comer

Hora de banhar

Hora de sair

Hora de sorrir

Hora de não entender

Hora de não-sei-o-quê



Não há resistência nem em nossos podres poderes

O conceito de tempo se infiltrou no mais íntimo de

[nossos seres



Foi-se o tempo dos filósofos,

E eis que chega o tempo dos técnicos!

O tempo, agora mais automático, mais sistemático e

[mais mecânico do que nunca

O tempo agora mais enferrujado do que seus relógios



Enquanto existe o tempo

Este mito arrogante e num primeiro momento útil

Torna-se então uma verdade

Uma verdade em aparência inquestionável

Uma verdade que nossas mentes fechadas tornam

[intranscendíveis



O próprio Einstein

Que desafiou a física

(uma coletânea de verdades em aparência

[inquestionáveis)

Não foi aos extremos de desafiar o tempo.

Simplesmente tentou entendê-lo,

E já foi longe em julgá-lo relativo.

E simplesmente isso.



E não transcendendo esses conceitos

E não entendendo que o relógio é um instrumento que

[mede um artifício e uma ficção

(pois o tempo é um artifício e uma ficção)

Agiremos sempre como se o tempo fosse um presente

[da natureza (ou de Deus)

Ou uma coisa nativa

Qual uma rocha que não temos força de mover

E em tentando nos adaptar a ele

E não adapta-lo a nós

Seremos para sempre robôs

E não importa quantas revoluções industriais ou

[técnico-científicas hajam

Ou o quanto a globalização avance

(e difunda ainda mais o conceito-tempo)

Graças ao conceito tempo estatelados sempre no

[tempo

***

coisinhas... coisinhas... coisinhas avulsas

Perolas lindaurensis I



Lindaura querendo dizer que podia estar errada:Corro o risco de estar certa...

***

A fé não é absoluta em seu conceito.

O que a fé tenta fazer é provar, através da ciência, que o teológico não tem explicação.



Geography, XII/ IV/ MMVI

It’s it.

***

A impressão que tenho é de que os crentes, com tanta paranóia na cabeça, com tanta besteira que inventam, não serão capazes de gozar o reino dos céus.

(...)

XII/ IV/ MMVI

Geography, quase fim

***

O povo pobre é santo

Porque vive de jejum!

SuperNovas

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