Oh, Dores!

Outro dia entrei numa lotação que, por sinal, estava lotada... Estava na Rodoviária do Plano Piloto, aquele lugarzinho fatídico e entupido de gente de tudo quanto é espécie, indo para São Sebastião, uma cidadezinha que fica na periferia de Brasília, lugarzinho bom e cheio de talentos escondidos.

Vindo, eu, depois de um dia cheio, louca para chegar em minha casa, fui direto ao ponto da lotação, pois já estava cansada de esperar um ônibus. Não esperei nem as colegas que estavam comigo, pois só assim eu conseguiria uma cadeira vazia e perto da janela para me sentar. Perto da janela sim, porque a quantidade de pessoas que entram nessa mesma lotação durante a viagem até São Sebastião não é brincadeira, e perto da janela, tento me livrar dos cheiros indesejáveis. Só tento porque é impossível se livrar de algo tão forte e estando tão perto do cheirosos. Só quem anda de lotação pode entender esse tipo de cheiro. O cheiro de pinga, do infeliz que bebeu tanto que até aparece estar saindo álcool pelos poros, que deixa a gente tonta. Tem o cheiro de cigarro que o sujeito, antes de entrar na lotação, dá uma tragada bem longa, joga o cigarro fora e depois que se senta é que começa a soltar aquela fumaça fedorenta causando um entupimento horrível no seu nariz. Tem também o famoso mal hálito, pois quem tem, parece não saber e fala sem parar, como carro fechado e o calor de todos aqueles corpos suados, o cheiro logo se espalha, começa a sufocar e a respiração fica difícil. Aí vem o campeão, o pior de todos os cheiros, o cheiro de sovaco. Não tem ser vivo neste mundo que agüente fazer uma viagem razoavelmente longe sentindo o cheiro de uma sovaqueira. O nariz começa a sentir os efeitos logo que o indivíduo se aproxima da sua cadeira. Dá coceira, ardência e, no seu estômago, enjôo, logo nos primeiros minutos da viagem. Agora, queridos leitores, imaginem todos esses cheiros numa só criatura e a mesma sentada ao seu lado durante a viagem. É isso, mesmo sentada perto da janela, não consegui me safar, sem poder sair da lotação porque a mesma já está em movimento e sem saber o que fazer, o jeito foi respirar o menos possível.

Mas os desconfortos na lotação lotada não foram só os cheiros. Ainda tem a música da mais baixa qualidade que os delicados e bem educados cobradores nos obrigam a ouvir, com o volume tão alto que os tímpanos estremecem dentro do ouvido, como se fosse um alto-falante de caixa de som. E o pior é quando os ilustres passageiros resolvem cantar em voz alta a música que está tocando no CD preferido do cobrador ou na pior rádio da cidade.

Aí cheguei, e preciso de ar puro.

Nanah

Março de 2007

SuperNovas

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