Descoberta a origem da gripe porquina!



por Edvair Ribeiro*

Hoje foi esclarecida a origem do fenômeno infecto-epidemiológico “gripe porquina” e, juntamente com esse importante fato, esclareceu-se também a causa de outro (agora se sabe) não menos importante fenômeno: os atos secretos do Senado. Esta tarde, dirigiram-se ao Senado alguns universitários da FCPERLS/A (FACULDADE DE CIENCIAS PORQUINOEPIDEMIOLOGICA RADICAIS LIVRES S/A), levando com eles algumas pizzas e um documento secreto (dizem que se tratava de uma solicitação de nomeação), com intenção de presentear os ilustres senadores, promovendo um lanche fraterno, num espaço secreto dos bastidores da insuspeita (?) casa. Informações posteriores relatam que havia agitadores infiltrados no grupo, agitadores esses que tinham outras intenções, mas que foram barrados pelos seguranças da casa, não a da mãe Juana, mas a outra, um pouco mais bagunçada. Rumaram eles céleres e serelepes para entrada do Senado, cantando inocentemente a canção anã infantil “eu vou, eu vou, pro senado agora eu vou, eu vou...” já antegozando o momento em que ficariam frente a frente com as ilustres figuras dos senadores e seu séquito, quando, ao chegar em frente aos portões de bronze banhado a ouro da sucursal de Roma, foram barrados por seguranças taciturnos, com os ares impassíveis dos guardas da rainha da Grã-Bretanha e a eficácia de eliminação do NU MATAR (v. Trevisan), que usaram um porta voz para explicar aos bem intencionados estudantes que os mesmos não poderiam adentrar o nobre espaço do Senado, por que o ar interno do recinto estava contaminado pelo vírus H1N1, que é o agente epidemiológico da gripe porquina, e que só os nossos valentes representantes e os seus leais servidores, que estavam naquele exato momento reunidos com quatro grandes epidemiologistas e (isso não está bem explicado) alguns representantes das ilhas Cayman poderiam permanecer lá, na tentativa de desenvolver uma vacina para combater o temível agente porquino. Disseram também que, dada a urgência, o grau de risco e visando a segurança do povo, eram os únicos autorizados, pondo em risco as próprias vidas, ao respirar o VICIADO ar do local, de onde se deduz que o vírus tenha originado, em conseqUência da relação promíscua entre evasão de divisas, caixas dois e outras mazelas secretas e porcas, de autoria de suas excelências. Especula-se ainda que o H1N1 tenha entrado no Brasil, impregnado em algumas notas de dólar, que eram mostradas como salvo conduto ou santo senha para adentrar certas repartições. Isso pode querer dizer que atos secretos e o H1N1 estão intrinsecamente ligados. Isso aconteceu por um pequeno descuido, por que os dólares, depois de fazer um tour pelas ilhas Cayman, deveriam ter voltado pro Brasil devidamente lavados. Já foram registrados protestos veementes por parte dos contratantes contra a agência de turismo responsável pelo passeio dos dólares, que aguardam ansiosos as desculpas e o desconto no serviço de lavagem mal efetuado.
Abro agora um parágrafo para louvar a abnegação, o espírito de sacrifício, o amor pelas causas populares, e o desapego pelo bem estar dos nossos senadores. Isso, inclusive, justifica os jetons, os auxílios moradias, as despesas extras para acompanhantes e outras pequenas compensações, que poderiam culminar em outro ato de igual nobreza: o haraquiri. Sim, eles poderiam empunhar a faca (que não deve ser pequena) usada para fatiar o bolo secreto, formar um grande círculo, proferir algumas palavras a título de pedido de perdão e zás! abrir os respectivos buchos deixando suas fétidas entranhas no enceradíssíssimo piso do Senado. “Mas poderá haver uma disseminação do vírus porquino”, pensarão alguns. Não, porque os nobres “haraquiristas”, preventivamente, já teriam acionado um sistema de auto-incineração, queimando assim os seus corpos, seus pecadilhos e purificando assim a imagem do Senado e da nação braso-tupiniquim. Aí, então, a nação, agradecida, faria uma sepultura simbólica, do tipo vala comum, dando a eles o título de mártires, construindo uma enorme lápide de concreto e gravando nela o slogan preferido pelos políticos em época de eleição: "Sacrificados pelo Bem Maior da Nação".

Edvair Ribeiro 13/08/2009


*Edvair Ribeiro é Epidemiologista e se dedica a estudar as pragas políticas e sociais do nosso país. formado na Universidade Estadual C.E.F. São José sua tese de mestrado foi baseada nos estudos da gripe porquina. Edvair não tem uma coluna fixa no blogue, mas mesmo assim publica toda semana. sinceramente eu tenho medo de dar uma coluna a ele.


d.b.; co-editor pentelho que abandonou o blogue às traças há mais de um mês.

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