PENSE NUM ABSURDO: Karl Marx, Otávio Mangabeira, Dom Pedro e Bell Marques

por Fábio Sena
Foi o velho Marx quem, sabiamente, deu imensa contribuição ao pensamento político ao afirmar que a história acontece primeiro como tragédia, depois se repete como farsa. O barbudo fazia referência à sucessão de dois Bonapartes à frente de governos de exceção na França: o primeiro, Napoleão, a tragédia; o segundo, Luís, a farsa. Mas um político baiano, Otávio Mangabeira, deu também enorme contribuição à humanidade ao pronunciar o seguinte pensamento: “Pense num absurdo. Na Bahia tem precedente”.
Num dos primeiros dias de janeiro de 1822, aqui no tropical Brasil, o príncipe-regente Dom Pedro I, num ato raro de coragem política na família, recusou acatar ordens das Cortes Portuguesas, que temiam a emancipação política dos brasileiros e o queriam lá, nas distantes terras europeias. Mas ele, espada em punho, bradou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.
191 anos depois, no distante 2013 – quem poderia imaginar tamanho despautério –, baianos de Salvador lideram um movimento denominado de “Fica Bell”. Absolutamente inconformados com o anúncio de partida de um ídolo, os “chicleteiros” articulam uma ruidosa manifestação e paralisam o trânsito da capital: simplesmente não admitem que ele rompa as relações com seu irmão Wadinho Marques, herdeiro direto do Reino Encantado do Tira o Pé do Chão.
É bastante provável que, contrariando as elucubrações teóricas do indefectível Marx, a história reserve uma novidade, ou seja, dois episódios em um só: Se Bell cede aos reclames do populacho e continua ostentando cetro e coroa do Reino Encantado do Tira o Pé do Chão, eis que temos consubstanciada uma tragédia – pois que ninguém merece a tortura timpânica de seu violão manjado – e uma farsa, pois que ninguém mais duvida tratar-se de uma peça de marketing vulgar o pranteado anúncio de sua deserção do trono.
Publicado originalmente aqui:

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