A Arte como vida, profissão e engajamento de Ricardo Caldeira

Desenho de Ricardo Caldeira

Ricardo Caldeira é um jovem de muito talento. Seus desenhos têm uma personalidade que deixa qualquer observador intrigado e encantado. Com 23 anos, ele é artista plástico, designer, escritor e integra o Movimento cultural Supernova, de São Sebastião. Em entrevista a equipe do Intervalo, o artista fala sobre os desafios de fazer arte em Brasília, da importância dos movimentos culturais, além de apontar as perspectivas profissionais no campo artístico e dar dicas a outros jovens que veem as artes como caminho.

“O fazer artístico se estende por toda a vida, acho que a gente já nasce artista.Você produz arte por que tem o anseio por vida. Mas eu pretendo um dia poder me sustentar com a arte.” Ricardo Caldeira.



Intervalo: Quando começou a produzir e expor seus trabalhos?

Ricardo: Comecei a expor meus trabalhos em 2010, quando entrei no Movimento Supernova. Em 2009, criei meu Flickr, tinha um anseio muito grande de mostrar o que eu produzia para outras pessoas, ai eu comecei a definir um conceito para minha arte. Para quem possui uma tendência para arte e tem um diferencial, é importante que ele acredite nesse trabalho e conheça pessoas. A partir de um momento que você passa atuar dentro de um contexto, participa de um grupo, as coisas começam a fluir e o trabalho toma uma direção. Os meus melhores trabalhos, eu não faço pensando em nada, depois que os vejo pronto, eles me dizem tanta coisa.

Intervalo: Como Brasília tem acolhido os novos artistas? Quais as dificuldades de se inserir nos polos de cultura da capital?

Ricardo: Brasília tem polos culturais muito elitizados. Os artistas das cidades satélites sentem dificuldade de se inserir. Quem está no Plano Piloto acaba conhecendo mais coisas, porque muitas vezes, as coisas que chegam lá, nem sempre chegam aqui (nas cidades satélites). Existe essa segregação cultural. É interessante que os artistas das cidades satélites criem grupos para dar voz. Nos grupos os artistas tem mais força. É como se fosse um comunismo cultural, porque a gente não pode ficar dependendo de patrocínio, emenda, governo. Quem faz arte faz porque gosta, e estando em um movimento, ela ganha voz. Quando um artista tem um engajamento social, o trabalho dele ganha mais valor.

Intervalo: Quais os desafios de que está começando a produzir arte?

Ricardo: Para quem está começando a carreira como artista, o maior desafio é desenvolver um estilo próprio, isso vai acontecendo com o tempo, com estudo, experiência pessoal. O que acontece é que as pessoas deixam de se dedicar a arte, porque acham que é apenas um hobby. Eu sou contra isso, acho que a arte é um campo de trabalho, uma profissão. O artista é muito negligenciado, é um desafio até para a própria pessoa se enxergar como um profissional.

Intervalo: Quais os campos de atuação no DF?

Ricardo: Em relação ao mercado de trabalho, existe um movimento crescente, aqui tem muitos museus, e ficam no centro de Brasília. Esses lugares são opções para fazer estágio, trabalhar. Ocorrem muitos eventos de arte, existe uma tendência dos mercados de arte, uma oportunidade para o artista vender o seu trabalho. Tem um movimento crescente de saraus nas cidades. Já participei do sarau do movimento supernova, tribo das artes, sarau psicodélico, essas são iniciativas muito boas porque elas criam uma descentralização. Mas é preciso procurar conhecer esses lugares. O importante é acreditar no seu trabalho.

Conheça o trabalho de Ricardo Caldeira em http://www.flickr.com/samba_raul

Originalmente publicado em "Intervalo". Disponível em http://intervalovirtual.com.br/?p=3095. 09/07/2012.

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