1º Curso de Formação do Movimento Cultural SuperNova




Nos dias 07 e 08 de julho, sábado e domingo, o pessoal do Movimento SuperNova se reúne na Chácara do Projeto Raios de Luz para realizar o seu primeiro encontro para formação da identidade do grupo. Sob a coordenação de Jessica Martins e com a condução do Professor Virgínio Beltrami. O curso consta de palestras, workshops e apresentações artísticas em formato de sarau e é exclusivo para os membros do grupo.

Eis a programação:

Sábado
14h - Abertura dos trabalhos(!) - Dinâmica inicial - responsável: Jéssica
14h30 - Início do debate - responsável: Virgínio
17h30 - Break para respirar, comer um pouco e ouvir música - responsável: todxs!
18h00 - Retomada do debate que irá até 19h00.

Noite de sábado:
Jantar: cachorro quente e caldo
Sarau em volta da fogueira (com chocolate quente)
Noite da jogatina - responsável: paladino

Domingo
9h30 - café da manhã
10h30 - Oficinas:
- oficina de desenho - responsável: Chibi
- oficina de colagem e DIY (do it yourself) - responsável: Quadrilátero
13h - Almoço
15h - Atividade do grupo de teatro - responsável: Arthur e Priscilla
16h30 - Atividade do manifesto - responsável - ainda em discussão
18h - Fim dos trabalhos.

MEMÓRIA DO PRIMEIRO CURSO DE FORMAÇÃO DA SUPERNOVA

Por Jéssica Martins


Três meses de preparação, vários erros cometidos, acompanhados de uma boa dose de acertos... A semana que antecedeu trouxe novamente o caos ao que parecia estar organizado. Tudo mudou de figura... Decisões rediscutidas e refeitas já com o evento batendo à porta. Um grande desgaste que, em parte mostrou o quanto esse curso se fazia necessário e inadiável. Mas por outro mostrou que essa é a SuperNova mesmo, nunca deixaremos de debater, de dar nossa opinião, de tentar decidir o que é melhor para o grupo (ou assim se espera!) – ainda que discordemos tanto. E mesmo na discordância, no momento do aperto nos damos conta de que somos um grupo, e entram em cena as mãos amigas e os conselhos mais que bem vindos de quem tem muito chão percorrido na organização de eventos e na superação de desafios. Assim, esse curso não sairia, e nem seria o que foi sem a colaboração do David, do Paulo e do Cristiano, sem os conselhos, a ajuda e as mãos mágicas de Thaís e Nanah, desde o primeiro até o último instante, sem a solução apresentada pela Shirlene e toda sua colaboração, sem a disposição de Anne, Chibi, Ricardo, Arthur, Priscilla, Wangazu e Nanda em preparar suas oficinas para o grupo, sem a disposição do Marcelo e do Raony a ajudar, sem a participação do Virgínio, e sem a participação e colaboração de cada um dos que participaram do curso de alguma maneira, seja de forma integral, ou só de passagem.
***
Primeiro dia de curso: nos bastidores o caos ainda imperava, e o “palco” não estava tão diferente! Atraso de mais de uma hora, gente perdida no meio do caminho, quase que alguns não chegam, mas conseguimos, enfim, começar aquele tão prometido pontapé inicial para a formação do grupo. Uma dinâmica de quebra-gelo inicial, cheia de risos, estereótipos e piadas do David, mas logo concluímos e demos início à parte séria.
Nesse momento começam as reflexões e discussões. Primeira delas: afinal, o que é a SuperNova? Diversas foram as concepções atribuídas, cada uma mais otimista e bela que a outra: “Movimento que transforma a realidade pela arte”; “Movimento cultural que serve como porta de acesso e vitrine à produção, discussão e fruição cultural de São Sebastião e Distrito Federal”, e até “SuperNova como opção, a transformação como consequência”. Outros a ela atribuíram uma série de conceitos comoarte, cultura, libertação, companheirismo, vanguarda, periferia, coletivo, revolução e simplicidade, fechando com a “Arte como caminho, princípio, meio e fim”. Até que um grupo levantou uma definição que ia por um caminho diferente, não menos belo, talvez apenas menos sonhador, mais analítico e simples: “Cada pessoa é uma peça com uma capacidade e uma vontade de transformar”. Assim, direto.

Frente a essa riqueza de definições, destacamos somente algumas palavras que traziam uma síntese do que é a SuperNova, e eis as que destacamos: Acesso, Vitrine, Discussão, Cultura, Movimento, Transformação, Arte, Realidade, Pessoa. A partir delas, organizamos cada conceito por ordem de importância, individualmente. E o resultado final foi surpreendente, uma vez que tomou justamente o caminho indicado pelo último grupo: 1º Pessoa; 2º Arte; 3º Cultura e 4º Acesso.
Partindo disso, uma síntese: somos um grupo de PESSOAS que fazem e promovem ARTE e CULTURA. A questão do acesso ficou para ser rediscutida, pois não foi especificado que tipo de acesso, para quem e em que proporção.


Mas outra discussão já havia iniciado: quais são os princípios da SuperNova? A lista é grande, logo, vale apresentar de forma separada:
Grupo 01: Supervalorizar e respeitar as diferenças/ intervir na sociedade através da arte possibilitando a libertação/ acolhimento e salvação/ reduzir abismos sociais/ liberdade de expressão/ vitrine para nossa produção (São Sebastião; SuperNova; DF e periferias; mundo)/ Superinovar/ romper com alienação/ superar as desigualdades/ propagar um estilo de vida/ criar espaços para voz!/ compartilhar e curtir/ “kaos”/ oportunizar (é para todos!)/ valorizar a produção cultural que não tem espaço na grande mídia/ valorizar os indivíduos/ agregar ideias, pensamento, pessoas.
Grupo 02: diversidade/ pluralidade/ ética/ compromisso/ coletividade/ tolerância.
Grupo 03: Arte pela arte/ Cultura de agregação de valor à Arte/ Comunitário.
Grupo 05: Visão/ diferenciamento/ mudança/ transformar/ sabedoria/ permutação/ reconhecimento/ expressão.
Além dos princípios também discutirmos sobre os sonhos do grupo. Surgiram duas linhas de sonhos: alguns voltados para algo mais concreto como montar um centro de cultura, uma sede própria, um espaço de convivência e produção de arte local; e outros voltados para a produção de arte como instrumento de transformação, tanto interna quanto externa.
Ao fim do dia e das discussões, chegamos a uma conclusão, ainda simples e que também precisa ser rediscutida, mas fundamental para dar andamento ao processo: a SuperNova é um grupo de pessoas que fazem arte – tanto a arte como pura expressão do indivíduo, a arte pela arte, como a arte enquanto instrumento de transformação social.
Porém tivemos que parar por aqui. Não só por conta do tempo (ou da falta dele), mas porque não adiantava seguir em frente, discutir objetivos, missão, ou os princípios e sonhos do grupo a fundo, sem antes discutir os problemas enfrentados por esse grupo que, como SuperNova, já atua a quase três anos, e seria muita ingenuidade acreditar que não tenha problemas. Como devem ter notado, na lista dos grupos que apontaram os princípios da SuperNova, faltou o quarto grupo. Esse grupo levantou uma série de questionamentos e críticas que refletem alguns dos problemas que enfrentados pela SuperNova no que diz respeito aos saraus, atual carro-chefe do grupo. Para entender o porque, eis aqui a imagem do cartaz:

(Legenda foto: Acesso? Discussão/Arte e cultura: pra quem? Estamos fazendo para nosso próprio ego?/ “só toca rock!” / “RPG não é do capeta!”/ “Ninguém ouve minha poesia!”/ “era uma vez um lugarzinho no meio do nada”/ “Quem é o público-alvo?: comodismo? Sempre vão as mesmas pessoas? Quem fica de fora?”)

Esses e outros problemas foram discutidos no segundo dia do curso de formação, que infelizmente começou com todo o marasmo de domingo que persistiu ao longo do dia, mesmo com as excelentes oficinas de desenho, teatro e colagem (numa disputa acirrada com War, poker e xadrez).
Mas ao final da tarde, quando finalmente o espírito de grupo falou mais alto e organizamos coletivamente o espaço, limpamos tudo, e comemos juntos pela última vez naquele dia, fizemos a discussão tão esperada.


Muitos palavrões, exaltações, lágrimas (essas foram por minha conta), velas (acabou a luz), mas também muita alma lavada ao final do curso (um ritual e tanto!). Basicamente vimos que não adianta tentar mudar a sociedade sem um auto conhecimento do grupo, sem que mudemos a nós mesmos em primeiro lugar. Mas igualmente, não se pode negar o papel social e transformador da arte. Cada membro dentro do grupo tem sua importância, acredite ela/ele na arte pela arte ou na arte como instrumento de transformação social, seja a pessoa artista ou não, todas e todos têm sua importância e ajuda ao seu modo a construir a SuperNova a cada dia, a cada evento, a cada momento.


***
E a história deve continuar. Não foi possível escrever um manifesto ou discutir a fundo o papel da SuperNova e afins, o que torna necessário um segundo curso de formação, dessa vez fora de São Sebastião e possivelmente daqui a dois meses.
Na avaliação desse curso, os pontos levantados com maior frequência foram a falta de atividades e a dispersão do grupo. Essa dispersão já era esperada, pelo curso ter sido realizado em São Sebastião (por isso a necessidade de se fazer fora da cidade). Quanto à falta de atividades, nada será imposto. Opções foram e continuarão sendo dadas, cabe ao grupo escolher participar. Mas sugestões de que atividades a fazer serão bem vindas, assim como voluntários para sua organização e execução.

Pessoalmente, organizar esse curso foi uma grande lição, em todos os sentidos. Fez-me enxergar mais a SuperNova, e querer continuar fazendo minha parte para que o grupo cresça e faça a diferença, seja na vida de seus integrantes, seja em São Sebastião ou além. O que tenho a dizer por enquanto é simplesmente: muito obrigada!


Discussões em grupo 

Discussão sábado 

Acesso? Discussão/Arte e cultura: pra quem? Estamos fazendo para nosso próprio ego?/ “só toca rock!” / “RPG não é do capeta!”/ “Ninguém ouve minha poesia!”/ “era uma vez um lugarzinho no meio do nada”/ “Quem é o público-alvo?: comodismo? Sempre vão as mesmas pessoas? Quem fica de fora?”) 

Oficina de colagem

SuperNovas

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