Linda Salvador!


Por Priscilla Sena

Tudo começou com um convite inesperado, surpreendente, e ao mesmo tempo duvidoso. À vinda a Salvador-BA. Após um mês fora de casa, curtindo Vitória da Conquista - BA, onde moram à maioria de meus tios, tias, primos e minha vó ( ou Mainha), estava insegura e com saudades da minha cidade ( São Sebastião-DF), e na verdade de tudo e todos que estavam lá, mas consciente dessa incrível oportunidade. Ah, quer saber, dei a louca e resolvi aceitar.

Viajar sozinha era novidade para mim, coisa que ouvir músicas, assistir o filme “Outono” no ônibus (acho que era esse nome) e dormir, claro, não tenha dado jeito na monotonia e solidão que eu me encontrava. Chegando a Salvador, fiquei meio perdida e pensando: Será que é aqui mesmo? Foi muito rápido e imperceptível. Sim, era Salvador, que vontade de gritar: Chegueeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!Estava muito feliz de vivenciar algo novo. Quando desci, confesso que fiquei com medo de tanta gente que vi, mais Tio Cláudio me recepcionou com um forte abraço de boas vindas a essa bela cidade. Lembrando que ele foi o promovedor dessa viagem. Aliás, tudo que conheci e apreciei aqui devo a ele, no qual irei redigir em detalhes.

Ao entrar no carro, e bestificada com tanta coisa diferente do que era acostumada, Tio me situou parte por parte, até chegar a sua casa. Sua família é composta por Vânia, Carol, Raví (o cão, que parece mais gente que eles todos juntos), ele e Ítalo que chegará a poucos dias.

Bem, o primeiro dia conheci o Dique do Tororó, na companhia de Carol e Juliane (prima de Carol), o Dique ( carinhosamente conhecido) é um lugar turístico. Vir a Salvador sem conhecê-lo representa um pecado mortal. A natureza, o ar puro e a beleza estão ali. É tanto que ir uma vez só não me satisfez, me vi obrigada a fazer outras visitas.

Em seguida, fui ao Humaitá, mais um dos lugares belíssimos de Salvador, serei sincera, o mar me trouxe medo, pois era algo desconhecido e parecia que a qualquer momento iria engolir uma pessoa pequena como eu, perto de uma coisa tão grande. Mas, ao mesmo tempo, fiquei paralisada, impressionada com sua beleza. Surreal. Único. Perfeito. Amedrontador. Lindo. Maravilhoso. Tudo isso e muito mais. Paramos para tomar uma água de coco e fomos para casa. A cada lugar que passávamos Tio Cláudio me mostrava e definia historicamente cada um.

No meio disso tudo, o assunto era o carnaval, todos no clima, exceto eu. Nunca fui fã e me tornei a estranha. Se eu fosse, seria com meu tio, mais ele tinha que acompanhar Vânia na espera de Ítalo. Preferi acompanhá-los. O mais estranho é vir a Salvador sem a mínima vontade de conhecer o carnaval, com a impressão de como via na televisão, e que nunca me agradou. Muitos vão me questionar sobre isso, ou talvez me chamarem de louca. Não tem problema. Só sei que o movimento tava grande, os comércios fechados, engarrafamentos por todo lado. Foram mais ou menos uma semana de folia, e eu curtindo dentro de casa. Por escolha minha claro.

Passado a festança, tive a oportunidade de fazer a travessia a ilha de Itaparica de barco, era uma tarde dessas e comigo estavam Carol ( mais uma vez, minha companheira de todas as horas), Thym( meu primo), Marivalda e Rômulo( amigos de Thym,ou Deusdeth, ou Thym, ou Deusdeth,melhor Thym).hahahaha. Pessoas de um caráter impressionante, e um humor, espontaneidade e companheirismo fora do comum. Marivalda teve tanto cuidado comigo e com Carol que virou nossa segunda mãe, e ela mesma dizia: Tá comigo, tá com deus! A travessia foi fascinante, todos nós estávamos boquiabertos com tanta água em nossa volta e como o mar era azulzinho. Próximo a ilha, avistamos muitos indivíduos, e nos deparamos com a tal curiosidade. Carol opinou: É carnaval? Não mesmo. Era a fila para a volta. Tio Cláudio tinha nos alertado sobre a demanda de pessoas e nos disse para comprar a passagem de volta na entrada, mais não foi possível. O que se notava eram gritos, conflitos, e uma fila fenomenal. Aí entendemos que estava naquela trágica situação por conta do carnaval. Thym iria para Vitória da Conquista, a noite, e estava com medo de perder o ônibus, e resolvemos voltar para casa. Se tivéssemos ficado, era capaz de estarmos lá ate hoje. O passeio já tinha valido a pena. Era cedo, e os meninos queriam conhecer o Mercado Modelo ( que irei comentar em seguida), e o Dique do Tororó. Chegando ao Dique, tiramos fotos, fotos, fotos, fotos novamente e mais fotos. Registro é o que não faltou.

Estou redigindo de acordo com minhas lembranças, portanto a uma desordem em relação aos fatos. Como prometi, contarei como foi a ida ao Mercado Modelo, passeio feito antes da travessia. Na verdade, o nosso destino era até o Solar do Unhão- MAM, mais estava fechado. Então decidimos mudar o caminho. Quando ouvi esse nome, me veio a cabeça um mercadinho de esquina que conheci em algum lugar, não lembro se foi em São Sebastião, mais não me soou um nome forte.Então não dei tanta importância. Quebrei a cara. O Mercado Modelo, é um mercado onde são vendidos os mais variados artesanatos, objetos culturais e regionais da Bahia, e que simbolizam a arte de Salvador. E não é, nem nunca foi um lugar simples. Depois de andarmos muito, e eu ganhar um vestido lindo, Vânia sentiu desejo de desfrutar de um delicioso geladinho (cujo geladinho substitui um almoço de tão grande que é, e não estou exagerando),fomos olhar o mar novamente e voltamos ao nosso aconchego.

Ainda nos dias de carnaval, tivemos a idéia de ir ao shopping. Em um dia calorento (o que estou falando, todos os dias são calorentos aqui), mais esse dia estava mais calor que os outros , e por isso, eu, Carol e Vânia resolvemos usar vestido. Chegando ao shopping, estava fechado por conta do carnaval. Mas para não dar viagem perdida, Dique era segunda opção. Partiu Dique do Tororó, e como sempre lindo, estava lotado de turistas e habitantes de Salvador. E pra terminar, devoramos muitas esfirras no Habib’s, e de uma coisa não posso esquecer,a garçonete que nos atendeu era cheia de espontaneidade e muito bem-humorada.

Finalmente iria conhecer o Solar do Unhão-MAM. Tio Claúdio com suas manias de fotográfo, deu a doida de querer me fotografar. E eu não fui a única vítima, Carol, Vânia E Juliane também já passaram por isso. Book virtual é assim que ele chama o vídeo feito com essas fotos e postado no youtube. Parece que estou denotando desprezo pela idéia, mais pelo contrário, considero meu tio um dos maiores fotógrafos da atualidade. Ele tem potencial, claro que sua câmera moderna contribui para isso, afinal ele é burguês. Qualquer pessoa por mais horripilante que seja sai bonita e com estilo de modelo depois de fotografada com essa câmera. Não preciso dizer que o Solar é mais uma beleza de Salvador, dentro de inúmeras. De lá, o pôr do sol é simplesmente fantástico e a vista emocionante. Depois de muitos flashes e dezenas de fotos, o alimento era necessário, nós estávamos famintos, inclusive Ítalo. Com direito a Petit Gateou e suco de abacaxi com hortelã e limonada suíça em uma lanchonete subterrânea, rumo à residência.

Estávamos ansiosos com a vinda de mais um “Sena” na família. Ítalo estava prestes a nascer, mais ele estava se fazendo de difícil, acho que estava com medo desse mundo cruel, e se recusava para causar mais sofrimento em Vânia. E eu não queria ir embora sem ao menos vê-lo, mais ele deu a graça de nascer antes disso. Esses últimos dias foram muito tensos, principalmente para Vânia e Tio Cláudio, as contrações eram muitas, e a qualquer momento o bendito poderia chegar. Tudo aconteceu no sábado, dia 25/02/2012. Não presenciei o que Vânia passou mais pelo que meu tio conta, não foi fácil. E Ítalo nasceu exatamente 19:18. O pior já passou. Domingo fomos visitá-lo e foi a maior festa e alegria no hospital. Ele deu o que falar. Umas seis horas da tarde fomos ao shopping. Eu, Gleiciane Reis, mais conhecida como Guell ( sobrinha de Vânia. Aliás tenho que deixar bem claro que é uma pessoa que me fascinou muito, e que se tornou uma amiga.), Juliane, Carol e Tio Cláudio. Massa demais.

Devo constatar que não contei nem metade dos lugares que eu fui, entre esses passeios maravilhosos e inesquecíveis que fiz, há outros que são de mesma importância, mais que dão para ser contados nesse parágrafo. Tive a honra de conhecer parentes distantes que não tinha contato, estar em um lugar totalmente diferente em todos os sentidos do que estou acostumada, viver coisas inacreditáveis, obter conhecimentos filosóficos com meu tio (que de fato, me ensinou muito nesses poucos dias), conviver com seres humanos incríveis, amadurecer, valorizar, principalmente coisas que não valorizava muito antes, um deles é a família, viajar de avião pela primeira vez (podem me chamar de proletária, eu sou mesmo) apesar de muitos estarem me classificando como burguesa pelo fato de estar curtindo os melhores lugares, e antes que eu me esqueça, conheci a favela também, e não só a burguesia, vivenciei os dois lados da moeda, e significaram muito. Tudo significou. Ouvir Jau Peri no carro, um dos ícones baianos e ídolo de Vânia, levar umas leves mordidas de Raví e mesmo assim leva-lo pra passear algumas vezes, mais que me deu um grande susto, revisar os deveres de Carol, gravar vídeos com Tio Claúdio, aprender algumas notas no violão, dormir tarde por ficar na internet e Vânia me proibir de tomar o café da manhã por ter acordado meio-dia, ser o assunto na rua entre os amigos de Carol por gostar de rock e ser nomeada por eles como “A ROQUEIRA”, comer muito acarajé, vatapá, caruru, e todas as outras delícias da Bahia, estranhar e ficar morta de cansada quando subia as ladeiras de Salvador, enquanto todo o resto fazia o mesmo com tranqüilidade e costume, colar adesivos no quarto de Ítalo, pintar minhas unhas com os esmaltes exóticos de Vânia, oprimir Tio Cláudio por beber cerveja todo dia, coisa que ele não fazia antes, estranhar esse calor fora do comum, e ter que andar com um ventilador por todo lado que for,dormindo descoberta ou só com um lençol básico para ajudar, fazer um bife acebolado acompanhado de vinagrete de Carol que tio elogiou durante horas e que eu fiquei muito lisonjeada por ter agradado, tirar muitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas fotos, ir embora de avião, que foi extraordinário, ir ao Pelourinho na véspera da viagem, e principalmente agradecer por esses dois meses em Vitória da Conquista e em Salvador, à tio Claúdio, Vânia, Carol(que foi minha companheira inseparável), Raví, Ítalo e a todos que eu conheci nessa terra linda. É, acho que termina a minha trajetória em Salvador. E que com certeza, se não tivesse ido, teria me arrependido profundamente.

Publicado originalmente no blogue "Meus Rabiscos". Disponível em apriscilasena.blogspot.com/2012/02/linda-salvador.html. 29/02/2012.

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