Pílula Contracultural VII - Protestivais!


Acho que devemos usar e abusar das táticas pacíficas, de não-violência e desobediência civil. Poderíamos, portanto, adotar a linha dos "protestivais"*, elementos de protesto com festival.
São acontecimentos culturais que brotam das ruas, dos parques e das praças, reconquistados e reapropriados para um genuíno usufruto público, com a prefiguração de uma sociedade livre e solidária; um lugar de interação (não mediada pelo consumo de mercadorias) e camaradagem entre cidadãos conscientes.
Essas mobilizações são organizadas localmente, com a ajuda de novas mídias e tecnologias (redes sociais). Posteriormente, ativistas de diferentes localidades, mundo afora, se congregariam gradativamente, interagindo e intercambiando informações ou conhecimentos, trocando estratégias de como lidar (ludibriar) a polícia, produzir materiais de propaganda e tornar possível inclusive uma agência de notícias própria.
É um tipo de carnaval de rua que valoriza a autonomia e a espontaneidade dos participantes; um palco temporário para ensaios abertos de outros modelos de expressão, convivência e participação, fora dos parâmetros capitalistas vigentes. São eventos itinerantes que ambicionam tornar as demandas utópicas momentaneamente concretas, palpáveis.
Trata-se de abolir as fronteiras entre arte e vida, introduzindo criatividade, imaginação, jogo e prazer no projeto revolucionário.
Enfim, é a alternativa, o contraste com os carnavais ou festivais (ordenados, regulados, controlados) promovidos por autoridades governamentais e agentes comerciais, não raro em parceria. Aos eventos anuais sancionados pelo Estado como uma (segura) válvula de escape para as tensões sociais, o incontrolável do caos criativo dos “protestivais”, capazes de romper com a obsessão cultural pela linearidade, ordem e regularidade.

* Inspiração, com livre adaptação, de FILHO, João Freire et CABRAL, Ana Julia Cury de Brito, “A resistência juvenil em tempos espetaculares: ecos e ensaios da contracultura no século XXI” in ALMEIDA, Maria Isabel Mendes de et NAVES, Santuza Cambraia. “Por que não?”: rupturas e continuidades da contracultura. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007. pp. 222-5.

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