Eu vi, por isso posso afirmar

OU: O Apendicitado Destemido



Eu presenciei o desdenho com que o nosso herói Zeca Oreba encarou a dor, a fleuma à africana (cujos direitos os anglos usurparam e patentearam como britânica) com que ele se submeteu à agulha para coleta de sangue, ao bombardeio dos raios x ou éx, ao suplício da regurgitação, quando seu cérebro se confundiu com as informações desencontradas enviadas de alguma região do seu estômago, pois até aquele momento nem seu cérebro e nem a junta médica, que prontamente se colocou a serviço do nosso herói, por ser ele um importante representante de Estado (do Estado Supernova, é claro) sabiam que órgão do seu nobre intestino trabalhava em desacordo com os demais. Se era o fígado, o rim, se era todo o intestino ou como se confirmaria a forte suspeita inicial, o famigerado apêndice.
Eu sou testemunha da abnegação com que ele se entregou à tarefa árdua de analisar o desempenho de seleção brasileira, que jogava contra ou a favor da Holanda, esquecendo quase por completo a própria dor e, em um devaneio patriótico-ufanista, ficar a sonhar com a vitória, que mais tarde se provou impossível. E se durante esse período ele expressou algum esgar, foi certamente por causa da sofrível apresentação do escrete canarinho (Saldanha iria adorar isso), enquanto ele, Zeca, perguntava se o carrasco holandês Wesley Sneijder estava presente ou não para que pudéssemos aplicar nossa revanche.
Considero um dever ainda relatar o ar de descaso com que ele se entregou aos cuidados de um anestesista tricolor, ele um flamenguista, e não importa se o cirurgião era flamenguista, pois o cirurgião só faz a incisão enquanto que o outro, o anestesista, que ministra o lenitivo, é quem define se vai ser com dor ou sem dor.
Digo mais, sou contra qualquer insinuação de que tenha ele amarelado, como maldosamente o fez Paulo Dagomé, ao citar o fato de o poeta ser um fingidor. O Zeca Oreba, enquanto poeta, talvez, mas enquanto “apendicitado”, regurgitante, examinado, perfurado nas vias intravenosas, decepcionado pela “pátria de chuteiras” (filosofia Zagaloriana), sedado a meia dose por um anestesista tricolor vingativo, que, após traçar um paralelo entre o Zeca e seus filhos desnaturados flamenguistas, poderia ministrar-lhe um quarto a menos do liquido “sedador” e utilizar essa parte da dose para aplicar na retirada da cutícula de uma torcedora do fluminense que estivesse por ali, acompanhando um parente também tricolor.
Por esses e outros motivos eu afirmo: Zeca Oreba não amarelou, mesmo sendo ele um poeta e o poeta ser um fingidor... Não, o Zeca Oreba não amarelou! Não amarelou! Ou será que por um instante ele...?
Não, não o Zeca Oreba...

Edvair Ribeiro, em 06/06/2011

Revisão: Daniel

Edvair Ribeiro

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