Porque eu temo as mulheres



Por que eu temo as mulheres?/, se sou eu o superior/ se sou eu o sexo forte/ sou o portador do falo/ se eu que dito as regras das ruas/ do lar e a lei do mercado/ se sou o chefe da casa/ se sou eu o pai da família/ se no terreiro da minha área/ eu sou o galo da rinha/ se sou eu quem rosno mais grosso/ se quando grito as cabeças se inclinam/ por que eu temo as mulheres?
Por que eu temo as mulheres?/ se elas são frágeis e eu e sou forte/ se elas são servas e eu senhor/ se elas são do lar e eu da rua/ se elas são fenda e eu sou seta/ se elas sangram em fases e eu não.
Por eu desrespeito as mulheres?/ eu já fui fardo de uma/ fui apaixonado por outras/ e quase choro por todas/ se por uma amo todas elas. Por que desrespeito as mulheres? Se devo minha vida elas/ na ordem da minha lembrança/ (minha bisa, minha vó e minha mãe).
Porque desrespeito as mulheres?/ que cruzam meu caminho nas ruas/ se exijo para minha esposa, minha filha/ pra minha mãe e sobrinhas/ um tratamento cerimonial/ que às vezes nem eu as dispenso/ pelo contrario sou brutal.
Porque temo as mulheres? Se elas são as donas da vida/ São eximias educadoras / são mais fieis como amigas/ se pra mim elas são seguro e aporte/ são fadas são anjos de luz/ são aconchego na insegurança/ e calor nas noites mais frias/ são elas que diagnosticam meus males/ e curam as minhas doenças
O que eu temo nas mulheres? Será fragilidade implícita com sinônimo de força/ será seu jeito inocente (não importando a idade) de eterna menina moça/ será o quê de feitiço que aureola o seu ser/será que o tremor sintomático que sinto em suas presenças? Será da sensação que sinto de estar sendo lido por elas?
Por que temer as mulheres?/ Se hoje sou oficialmente dependente de uma/ às vezes dependo até de minha filha/ que em tese é minha dependente/ então, porque temo as mulheres?
Depois de tanto matutar/ cheguei a uma conclusão/ que é meio constrangedora/ eu penso que esse meu temor/ é fruto das hipocrisias /que marcam velhas gerações/de uma sociedade formada/ de fracos inrustidos em machões/ todos dependentes de mães/ como Freud talvez explicaria.
O nosso temor às mulheres/ inseriu-se na incapacidade/ mesclada com a covardia/ de não reconhecer a valor/ dessas criaturas austrais/ mito, mistério e magia/ senhoras do vaso da vida/ pois sem seu consentimento/ sua entrega à gestação o ser humano se extinguiria.
Por isso no limiar dessa data/ em que se comemora o seu dia/ vou exorcizar os temores/ (se é que eles existiram um dia) e dizer mulheres eu as amo/ do Eros ao ágape e philia/ mulheres de são Sebastião pela aproximação/ a mulheres do Brasil o conjunto da nação/ e mulher internacional/ mulheres do supernova, parabéns pelo seu dia.

Edvair Ribeiro em 07/03/2011

Edvair Ribeiro

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