TRIBUTO A REINALDO JARDIM


O apresentador; Ziraldo; Adrian Carvalho, presidente da Câmara do Livro de Brasilia;
e o patrono da 28º Feira do Livro de Brasilia, Reinaldo Jardim.
Foto de Naná Farias, do Movimento Supernova.

A noite do dia dois de fevereiro do ano de dois mil e onze
Se fez assim de repente num prenuncio de dor
Denso para a poesia e para a arte da escrita
Vestiu os corações dos poetas de súbita melancolia
As 23 horas e trinta minutos Reinaldo Jardim partia
O poeta entre os poetas desse mundo se despediu
Viajando para o mundo formado por fantasia
Continuando o propósito desenvolvido aqui na terra
Foi pro Olimpo dos poetas para num plano asceta
Seguir sua nobre meta fazer um céu de poesia

Essa hora inoportuna do passamento de Reinaldo
Dividem a terra e o céu num clima em separado
Aqui forte comoção pela súbita separação
Um herege sentimento de haver sabotada a poesia
Pelo o ser criador dos poetas e dos versos
Num conluio com Vinicius, Drummond, Bandeira e Cia
O requisitou pro além-terra para em novas parcerias
Escrever e publicar no céu uma nova elegia

Depois de oitenta e quatro anos de existência e labor
Sendo destes mais de sessenta dedicados a cultura
Tinha os genes da poesia no DNA inseridos
Deixou discípulos, herdeiros poetas para eternizar
Suas crenças sua arte suas idéias e metas
“Enquanto aqui viveu” desleixado” em descanso
Camiseta e bermuda a “vontade pé descalço”
Humano jeito de gente todo alma de poetas

Patrono da feira do livro do ano de dois mil e nove
Estava feliz, mas indignado pela falta adesão
Dos escritores de Brasília em relação ao evento
E chamou atenção dos presentes pro detalhe do vácuo
Deixado pela ausência dos ícones da literatura
Que vivem a cobrar da parte dos representes do estado
Um apoio mais amplo para o artista e a cultura
Mas no palco do evento deixa vago seu espaço

Reinaldo exigiu para os seus que depois de sua morte
Não obstante os amigos sentindo a dor da separação
Não chorassem de tristezas na hora da despedida
Mais que entoassem em festa alegres sambas canção
Ciente que morte de um ente não mata o verde da vida
E nem mesmo torna mais suave o clima de um velorio
Então festejem cantem enalteçam-me com alegria
Foi o que pediu a todos de modo peremptório

Reinaldo está sentado em algum lugar celeste
Em roda de poesia com os colegas da rima
Com Noel, com Pessoa, Mario de Andrade e Bilac
Com Vicente de Carvalho, Mario Lago e Varela
Fazendo roda de samba com Candeia e Cartola
Com as companhias femininas de Clara Nunes e Coralina
Com Chiquinha Gonzaga, Clarice Lispector e Cecília
E os demais escritores que compõem a Cia
Que perenizam os sonhos da ideal fantasia
Reunidos num sarau celeste em eterna poesia.

Edvair Ribeiro, em 21/02/2011

Edvair Ribeiro

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