PARADOXOS



Quando eu deito e de cansaço adormeço
Quando eu sonho e no sonho me encontro
Quando dormindo ouço som de qualquer canto
Quando desperto eu abro os olhos e me levanto


Quando me encanto pelo som de um acalanto
Quando ensaio um galanteio e me atrapalho
Quando ouço o riso de chacota e me retraio


Quando a noite dá lugar à madrugada
Quando sinto saudade da poeira da estrada
Quando o sol vem surgindo no nascente
Quando a noite segue para o outro hemisfério


Quando de cá a vida recomeça a pulsar devagar
Quando de lá a vida tende a madornar
Quando o dever me empurra pro trabalho


Quando transpiro eu me encharco de energia
Quando uma criança me sorri com inocência
Quando a pureza da existência me alicia
Quando um louco me apresenta sua demência
Quando a sanidade perde toda consistência
Quando eu retorno às minhas crises de existência


Quando o rico gasta num lanche o valor do meu salário
Quando em casa a cesta básica se acabou
Quando o início tem a aparência de final
Quando um mendigo ostenta ar de milionário


Quando você vem se aconchega junto a mim
Com seus aromas de lavanda ou de labuta
Quando enredado em teus braços me amparo
Quando me aqueço com o calor do seu corpo


Quando eu me alimento o sabor do seu gosto
Quando eu envolvido no enlaço dos seus braços
Quando eu descanso no teu colo meu cansaço
Quando eu me pergunto até quando, esses quandos?


Até quando esse círculo de ameaça iminente?
Até quando essas fagulhas transitórias de alegria?
Esse presságio de início de final clarividente
Como o piscar confuso de um semáforo intermitente.


Edvair Ribeiro, em 01/10/2009, às 00h53min

Edvair Ribeiro

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