Viva ou sobreviva. Não, sub-vida.



Hoje fui egoísta. Te arranquei do seu mundo só por vaidade. Dali em diante, o que tinha em minhas mãos era apenas um sombra do que você já foi. Aos poucos, suas cores iam tornar-se foscas e sua pele se encher de rugas. Em últimos suspiros ofegantes, aos pés dos meus ouvidos, no seu tímido atrevimento, me sussurrou uma verdade, em um ato de perdão.

Homens e flores, arrancados de sua essência. Fadados à morte de seu Eu, passam a subsistir apenas a uma fútil aparência. Isso não é mais viver. Existir vai além de estar presente: é interagir, sentir o mundo ao qual faz parte, contribuindo para a Grande Engrenagem.

Eu, Flor, te compreendo. Subconscientemente, você repete o gesto que fizeram contigo quando ainda era inocente. Mas, ao contrário de mim, que não posso me comunicar formalmente, você tem liberdade de escolhas. Descubra qual é a sua Árvore, não deixe que te faça mais uma flor da jarra, que te dão água, que é o básico e, assim que sua beleza acaba, te descartam. Se quiser continuar no jarro, não se preocupe com o que será de você quando sair. Você não estará mais vivo, será apenas mais uma peça do sistema.

Samba Raul!

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