São Sebastião, forja de campeões

O que São Sebastião tem em comum com Brasília e as comemorações do seu cinquentenário? Resposta fácil: tudo, se enfocarmos a pergunta pelo contexto histórico. Tudo, se dermos importância à força dos esportistas da cidade, e pouco, dentro da visão de fora para dentro, do olhar que a grande Brasília dispensa sobre a nossa São Sebastião. Cronologicamente, São Sebastião e Brasília têm a mesma idade, sendo que, nos primórdios da construção da nova capital, foi incumbida à região, que então compreendia as áreas das fazendas Taboquinha e Papuda, a missão de fabricar os tijolos maciços e furados para sua construção. Para isso foram instaladas aqui nove cerâmicas de tijolos furados e umas outras cinqüenta olarias de tijolos maciços. E assim, ao longo de 27 anos, de 1957 a 1984, esse foi o principal papel de velha papuda, que a partir dessa época passou a se chamar Cerâmica Agrovila, para finalmente em 1993 ser emancipada oficialmente com o nome de São Sebastião. Então, dentro do contexto histórico, a satélite e o centro existem fortes ligações. Olhando do prisma do esporte, constatamos em São Sebastião, a existência de excelentes atletas em varias modalidades, desde os esportes coletivos, como futebol, futsal, basquete, vôlei, até os individuais, como atletismo, caratê, judô, jiu jitsu, entre outros. O que falta é apoio. No centro de Brasília, o mesmo plantel de talentos de esportistas, com a diferença de que lá a presença dos patrocinadores é intensa, além da estrutura financeira individual de cada atleta ser infinitamente superior. E então, fazendo uma analogia entre o evento comemorativo dos cinqüenta anos de Brasília e da participação de São Sebastião, temos o seguinte enfoque: no ultimo domingo, foi realizado, no ginásio ASCADE, na 610 sul, o campeonato brasiliense de jiu jitsu, copa cinqüenta anos, em cuja competição São Sebastião compareceu com seis atletas da equipe JUQUINHA, monitorados pelos professores CHUCK e BETINHO, os quais trouxeram para a galeria de troféus da nossa cidade cinco medalhas, sendo essas três de ouro, uma de prata e uma de bronze, conquistadas na seguinte ordem pelos atletas:  Adalberto Ventura (o Betinho), faixa marrom, categoria peso pena, medalha de ouro; Max Willy, faixa amarela, categoria peso pena, Medalha de ouro. Pedro Henrique, faixa azul, categoria peso pesado, medalha de ouro; Rafael Ferreira, faixa azul, categoria peso pena, medalha de prata; Diego Maciel, faixa azul, categoria peso leve, medalha de bronze. Temos ainda a atleta Greice Stefany, que não pode competir, em consequência de um equivoco cometido pela confederação, com relação a sua categoria de peso, mas tivesse ela adentrado o tatame, poderia nos ter proporcionado a conquista da sexta medalha. Equívoco esse que está sendo estudado e deverá ser reparado pela ilibada federação. Portanto, a relação de São Sebastião com o cinquentenário de Brasília vai além do epíteto de cidade-satélite, ou cidade-dormitório. São Sebastião, pode ser denominada como um celeiro de atletas, como um lugar onde se forja campeões e o faz da maneira mais árdua, mais autêntica e mais poética, já que, para os atletas de São Sebastião, subir no pódio não implica simplesmente na conquista de uma medalha, mas na coroação do trabalho de toda uma existência, do remar contra a maré, da falta de dinheiro para transporte, da subalimentação - levando-se em consideração que o atleta precisa de uma dieta diferenciada, da falta de patrocínio, enfim, da superação das dificuldades naturais no cotidiano do atleta, morador de periferia e que, do alto dessa periferia, tornam-se verdadeiros heróis! Nós temos um sonho, que é projetar São Sebastião numa tela de visibilidade, que não seja a de produtores de mão-de-obra barata para a chamada classe A, mas sim de um vertente social, possuidora de valores, que podem influir positivamente, na missão de ajudar a levar o nome de Brasília, do DF e do Brasil, no conjunto concernente aos esportes e as artes em geral, para além das fronteiras internacionais. E isso não é nenhuma utopia, muito pelo contrário, é um sonho possível de ser realizado. Pois temos o material humano dotado de qualidades inatas, e imbuído dos ideais necessários. A prova disso é que onde quer que nos apresentamos, contrariamos as expectativas e vencemos. O que tem minado um pouco nossa resistência e dificultado nossa caminhada é a insuficiência de apoio financeiro e de pessoas ou grupos que creiam em nós, como nós cremos nos nossos sonhos!

Edvair Ribeiro dos Santos, 13/04/10.

Edvair Ribeiro

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