Escutaí... # III





Portanto, nos últimos minutos eu vim postar aqui. Uma explicação bem simples: falta de tempo. Dediquei-me hoje ao meu trabalho, à procura de um livro e A algumas planilhas.

Mas enrolação de lado, hoje vou falar dela, uma voz que nunca vai se calar. Nunca e jamais vai se calar. A afinação, a emoção e aquela certa rouquidão estarão presentes durante muito e muito tempo. Sem falar da presença de palco que ao mesmo tempo que ilustrava uma guerreira, com total agressividade e vivacidade mostrava também uma doce garota "blue". Hoje, depois de muitas e muitas músicas, eu decidi por fim falar dela: Cássia Eller.

Teve uma vida musical muito variada, apesar de curta, e muito rica em todas as suas dimensões. Ela interpretou músicas de Renato Russo, Cazuza, Jimi Hendrix, Beatles, Chico Buarque, Riachão e muitos outros. Em especial, ela criou um vínculo muito forte com as músicas de Nando Reis.

Eller foi uma das grandes atrações do Rock In Rio III, e transformou, gloriosamente, samba, baião e mpb em rock 'n' roll com a cara mais brasileira possível. Também, aproveitou o aniversário de David Grohl (ex-baterista do Nirvana e atual vocalista do Foo Fighters) e cantou maravilhosamente bem o clássico do Nirvana, "Smell Like Teen Spirit". Segundo ele, foi uma das melhores interpretações da música, depois de Kurt.

Ah, minha garota malandra. Ainda me lembro do dia em que ela faleceu. Estava na casa dos meus avós, preparando um começo de jantar para o fim do ano, quando o jornal anunciou sua morte. Eu parei no meio de todos porque conhecia suas músicas, quando minha mãe, com medo da "contaminação", desligou a TV, dizendo que era errado. (¬¬)
Era homossexual e morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins, com a qual criava o filho Francisco (chamado carinhosamente de 
Chicão). E, por causa disso, sofreu, como muitas mulheres também sofriam, muito preconceito. Ela soube usar a música a seu favor e de uma forma ou outra abriu a cabeça de muita gente, mostrando que não há diferença nisso. Com certeza foi sim um ícone para todos os homossexuais e ainda acredito que é.

Cássia Eller por Adriana Paiva *.

Cássia foi, assim como outros grandes nomes da música, vítima de álcool e drogas. Morreu em 2001 com um infarto. Com ela, morreu muita parte da renovação musical que estava tendo no País na época. Com ela, foi-se também boa parte do bom senso de música de certas pessoas.

A música de hoje dela fala no que há de mais profundo da minha alma. É como se o ar tomasse lugar do meu sangue, me tornando assim pneumática demais, flutuante e leve. Gosto da rouquidão que contrasta com as vibrações tão certas de um violão e as notas tão bem feitas pelo piano. É uma emoção nova, toda vez que se ouve essa música. Ela se renova, se refaz toda vez em que meu WMP repete-a.

"Todo amor que houver nessa vida" foi originalmente gravada pelo "Barão Vermelho", em 1982. Foi composta pelos gênios Frejat e Cazuza, e, como não poderia ser diferente, se aperfeiçoou muito na voz rouca e sentimental de Eller. Em 1989 Cazuza regrava essa canção em uma versão ao vivo com um toada muito mais próxima do blues, com presença marcante da gaita e do piano. A cantora Cássia Eller também gravou essa canção duas vezes, porém de forma que a segunda merece especial destaque. Ela aparece em seu álbum "Acústico MTV", de 2001, e ganha em intensidade vocal e qualidade instrumental e harmônica.

A música ganhou meu coração e ouvidos, devido à mistura de letra, voz e ritmo que agradou muito. Uma poesia em forma de blues, com uma voz tão forte e tão suave ao mesmo tempo. Com tanta energia e calma que anestesia meu ser. Deixe que a música te explore.







Todo amor que houver nessa vida


Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós, na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia...

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio
O mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E algum veneno anti-monotonia...
E algum

Anne K.

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