OBRIGADO, MADIBA - Edvair Ribeiro despede-se de Mandela.

Hoje o povo da África negra e seus descendentes dispersos pelo resto do planeta perderam Nelson Mandela, ultimo dos grandes heróis oriundos do século passado. No ano de 1918, quando a Europa era devastada pela 1° guerra e enquanto Benito Mussolini e Adolf Hitler, então com 27  e 19 anos, respectivamente, maquinavam a criação do fascismo e do nazismo, de forma quase simultânea, nascia Nelson Mandela.  É meio que paradoxal citar essas duas aberrações da história no momento da passagem do grande Mandela, mas se o faço é para tentar passar a idéia, ainda que vaga, do contexto histórico em que ele foi forjado.
      Vinte quatro anos depois - pra piorar ainda mais a vida do negro sul africano- foi implantado oficialmente o desumano regime segregador “apartheid” que consistia na separação total entre o povo negro e o povo branco da África do Sul, que submetia o primeiro a viver sob o jugo dos africânderes ou bôeres - miscigenações dos holandeses, franceses e alemães.
       Quando digo que Mandela foi ultimo dos lideres negros do século passado, se voltasse atrás e afirmasse que ele teria sido o maior do último século não estaria exagerando. Os heróis do povo negro que se destacaram no ultimo século - excetuando Malcolm X, Martin Luther king, Desmond Tutu e Winnie Mandela - o fizeram no campo dos esportes, das artes cênicas e audiovisuais. Ainda que não se deva ignorar os seus valores é fato sabido que, de alguma maneira, eles foram promovidos pela mídia capitalista e para enaltecer a sociedade de consumo.
        Quanto a Nelson Mandela, ainda que formado em Direito e vivendo num país com regime radicalmente segregacionista, onde alguns negros “foram cooptados pelo governo branco em troca de algumas migalhas de favores” permaneceu firme e fiel à causa e investiu o seu conhecimento na luta pela liberdade de seu povo.
      Aproveito para citar aqui o que pra mim é uma injustiça histórica: A enciclopédia Barsa, uma das publicações de maior importância em nível mundial, na edição de 1965/66 – não fez nenhuma menção do nome de Mandela, nem mesmo nas páginas que relatam a história da África do Sul. Nestas páginas constam nomes  da “dinastia botha”, já o nome de Mandela, que já se encontrava encarcerado  não aparece nem mesmo no rodapé.
        Mandela defendeu a liberdade com risco da própria vida. Foi um homem de armas quando necessário. Foi encarcerado no ano de 1962, com 42 anos de idade e passou 27 anos ininterruptos de sua vida preso. Mesmo na prisão continuou a luta pela liberdade e pelo direito a uma vida digna para o povo negro numa terra de negros, ocupada por uma minoria branca.
       Posto em liberdade aos sessenta e nove anos de idade, deu continuidade à luta, agora num novo campo de batalha, mesmo com o avanço da idade. Tão mais carismático e respeitado quanto antes, o mundo se vê obrigado a reconhecer, ainda que sob pressão, as incontestáveis evidências da importância de Mandela. Da autenticidade de sua causa. Da crueldade do apartheid contra o povo negro sul africano.
    Eleito presidente da África surpreendeu os antigos adversários e opressores com uma política de agregação do povo branco e negro, fundamentado no perdão sem revanchismo da parte do povo negro da nação sul africana.  Ganhador do premio Nobel da Paz em 1993. Pai da nação sul africana. Líder negro de maior relevância no cenário mundial do mundo contemporâneo, Nelson Mandela partiu.
       Veio ao mundo. Cumpriu sua missão. Está imortalizado pelos exemplos deixados para serem seguidos. E junto com esse legado, ficará também a radiância de seu sorriso. Por todos seus feitos, que são impossíveis de serem narrados em tão poucas linhas dedico-lhe esse texto.

Obrigado, Madiba.

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