Ainda falando da gameleira


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013



 Imagem ilustrativa Google

Assim que a gameleira foi quedada e após eu haver escrito e publicado o texto intitulado: O assassinato da velha gameleira, tomei conhecimento da seguinte história em caráter extra-oficial. Contou-me um soldado do corpo de bombeiros que o então comandante do grupamento de São Sebastião, chamado tenente Souza ,atendendo a solicitação de um  tal de Jorge, que na época era o  proprietário do imóvel onde se situava a gameleira,  ordenou a ele que efetuasse a derrubada da gameleira, disse-me esse mesmo soldado que ele se rebelou intimamente contra a idéia do corte da gameleira e  sugeriu sutilmente ao comandante Souza que não  a derrubasse, por ela ter um grande valor ecológico.  O Jorge ao tomar conhecimento do empecilho ideológico, forjou um laudo que atestava que a gameleira estava com uma doença no interior do seu cerne.
 De laudo na mão, o Jorge procurou de novo o tenente comandante que já sabendo da resistência dos soldados do grupamento local de derrubar a gameleira, trouxe uma equipe de um grupamento de fora, sem vínculo social e emocional com cidade de São Sebastião, que com a potência avassaladora das motos serras, rapidamente procedeu com o corte, o aniquilamento da velha gameleira.
Eu ainda trago na lembrança, a imagem das toras, dos troncos e galhos da gameleira expostos no solo da curva onde antes ela se postava imponente, e mesmo sendo leigo em Biologia Botânica eu posso afirmar que não  vi sinal de nada de errado no cerne das toras da gameleira, mas me lembro de um visgo leitoso, saindo nos cortes entre a casca e a madeira, algo como as lagrimas ou a baba do esgar de um ser agonizante.
O tal do Jorge comprou o imóvel em cuja frente à gameleira se encontrava no inicio dos anos 90. Eu me lembro muito bem dele desde os tempos em eu trabalhava numa loja do lago sul e na belo Vale Materiais para construção. E me recordo ainda dos comentários sobre o entrave que a gameleira significava pros seus projetos para o imóvel.
Gameleira no chão, foi construído no imóvel um prédio  meio tosco com o "sadio" proposito capitalista de locação comercial, que depois foi revendido e demolido para dar lugar a potência empreendedora chamada Maranata, que acampou ainda a área anexada nos fundos onde funcionava a olaria da Dona Adelina. E o jorge? perguntariam ou poderiam perguntar alguns, bem, dele não tive mais noticias, talvez esteja por ai comprando mais imoveis e derrubando gameleiras outras, em Regiões Administrativas em formação onde o  não povo se mobiliza pra fazer valer ações obvias  como defender seus marcos históricos e lutar por suas preservações. 

Edvair Ribeiro

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