Escutaí... # II



Boa terça para vocês. E para começarmos com o pé direito o começo de mais uma semana, hoje vou falar de mais uma das relíquias que ficaram um tanto apagada da cabeça da grande massa, por uma onda de música sem qualidade.
No dia 27 de novembro de 1942, nasceu em Seattle um certo garoto que já era prometido para as estrelas. Um cara que não cabia na Esfera Azul, já com um talento incrívelmente sedutor. Ele era Jimi Hendrix. Meu JH. Com ele falo com total propriedade, pelo amor que há entre eu, ele e a música que ele transformou.


Teve sua fama no Monterey Pop Festival em 1967 com sua performance ímpar, somando sedução, música e loucura. Exato, teve uma carreira muito curta, mas o suficiente para arrematar centenas de milhares de pares de ouvidos e cabeças pensantes. O único que faz com que a microfonia saia suavemente. Jimi Hendrix, invadiu o mundo musical com pé direito. Decifrou cada uma das partes da escala pentatônica como um amante decifra o corpo de uma mulher. Temos exemplos infindáveis da sua criatividade na música, variando de toda a psicodelia de "Third stone from the sun" até o blues puro "Hear my train a comin'" e ainda seus sucessos como "Little wing", "Purple Haze" e "Hey Joe"¹. A forma que ele desempenhava a música, tanto em estúdio como ao vivo. Sempre algo novo ele trazia a tona. Ele deu vida à músicas mortas, como por exemplo, "Like a rolling stone" do Bob Dylan. Na música "If six was nine" que conta idéias, que naquela época, não era muito bem vista. Segundo ele, ele tinha um próprio mundo para viver. E isso já bastava.


Um músico que levava a música muito à sério. Só de vê-lo tocar, ou ouvir suas músicas, analisando-as e curtindo-as, você entende exatamente o que ele sentia ao compor e apresentar tal canção. E é isso o que falta nas músicas atuais: verdade. Salvo alguns gênios musicais que são superior à isso, mas são casos raros.
E assim, como todos os que encabeçavam o movimento hippie, ele foi um dos "Jotas" que morreram aos 27 anos (farei um post sobre isso, incluindo Brian Jones, do Rolling Stones) misteriosamente num quarto de hotel. Não digo que sua morte foi um ponto final na música, a sua morte. Mas digo que foi um fim de um parágrafo muito lindo e rico. Com ele foi enterrado um futuro musical que teria se prolongado por muito mais tempo.


Mas nem tudo está perdido! Saiu ontem o álbum "Valleys of Neptune" do meu amado JH. As músicas são todas inéditas e lindas, como sempre. Foram gravadas um ano antes sua morte, no ano da Woodstock, no ano mais pervertido: 69. Então, imaginem ele, num estúdio, depois de ter tocado o hino nacional no Woodstock para mais de 1 milhão e meio de pessoas que buscavam o mesmo objetivo, com efeitos que imitavam os mísseis americanos no Vietnã, com todas as idéias ácidas na cabeça dele, com todo talento que ele tinha, compondo novas músicas, com uma nova ideologia, com uma nova fase de vida. "Valleys of Neptune" é uma das faixas do novo álbum e considerado uma relíquia, um achado dos colecionadores. Conta com uma playlist invejável e maravilhosamente grande! "Red house", "Stone free", "Fire", "My Bleeding Heart" [Elmore James] e "Sunshine of Your Love" [Cream].


E esse álbum foi possível por uma parceria entre a família Hendrix e a Sony. Este disco oferece uma visão única da maestria de Jimi nos processos de gravação e demonstra que ele era tão inovador no estúdio como ao tocar guitarra. “Sua sabedoria brilha em cada uma destas maravilhosas canções", explica em um comunicado, Janie Hendrix, irmã do guitarrista e presidente da Experience Hendrix LLC, a fundação que protege o legado de Jimi Hendrix.  A própria Janie, ainda alega, que  há material, de áudio e vídeo, para abastecer uma década de novidades aos fãs.


E temos que agradecer então, à essas parcerias que nos proporcionam novamente, o gosto do novo, que já se passou. E ainda bem, estamos numa onda de regravações e relançamentos de nossos ídolos jaz mortos.


Então, para saciar toda sede de música, com vocês, uma música do album em questão, Sunshine of your love, JH.






Beijos e até a próxima terça-feira. Ah, confiram o #musicmonday dessa semana, falando sobre o nosso ilustre, Paulo Dagomé.

Anne K.

3 comentários:

  1. arrasou como sempre Anne.

    como diria Raul Seixas "o Rock Morreu nos anos cinquenta".

    o rock morre todo santo dia. isso é sinal de que ele renasce todo dia tbm, porque não tem como morto morrer.

    quanto à música, enebriante!

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  2. pô anne, não leve a mal não, mas o baixista rou bou a cena do jimmy nessa performance especificamente.

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  3. Verdade. Por isso, a cara de desapontamento dele. Mas serve de isca, para quem ainda não conhece, para se aprofundar melhor nele.

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